Naufrágio em Ixalan: O Segredo do Sol Imortal e o Plano de Nicol Bolas

Após a devastação das Sentinelas em Amonkhet, o isolado plano de Ixalan torna-se o palco de uma corrida épica por Orazca. Sem memórias, Jace Beleren forja uma aliança improvável com Vraska enquanto desvendam o milenar segredo do Sol Imortal.

LORE

Fuss

8/22/2026

Após a derrota esmagadora das Sentinelas pelas garras do Dragão Ancião Nicol Bolas nas areias de Amonkhet, o Multiverso mergulhou em um momento de fragmentação e profundo desespero. A arrogância dos guardiões ruiu perante o poder absoluto. Contudo, o eco dessa calamidade não terminou no deserto; ele encontrou seu destino em um plano primitivo, selvagem e aprisionador. O plano de Ixalan, governado pela ferocidade dos dinossauros e pela astúcia dos piratas, tornou-se não apenas um exílio, mas o caldeirão onde a sobrevivência forjaria alianças antes impensáveis e revelaria a segunda fase da maquinação milenar de Bolas.

O Naufrágio e o Despertar nas Selvas de Ixalan

Durante o apocalipse conhecido como A Hora da Devastação, Jace Beleren sobreviveu por um triz ao ataque mental letal de Nicol Bolas. Cego pela dor e em total desespero, o Mago Mental ativou instintivamente sua centelha, transplanando pelo Éter sem um destino fixo.

Ele despertou nas praias inóspitas de Ixalan, em um pedaço de terra isolado que viria a chamar de Ilha do Inútil, despido de qualquer lembrança de quem era, de seu passado ou da tragédia que fragmentou as Sentinelas. Esse apagão total não foi uma contingência calculada, mas sim o resultado direto do colapso de sua própria mente ao tentar absorver e resistir à agressão do Dragão Ancião, restando apenas uma ilusão emergencial do dragão espiritual Ugin como guia enigmático em seu subconsciente.

Jace acordou com a certeza de que estava perdido.

Jace viu-se obrigado a abandonar a arrogância intelectual de outrora. Preso na selva, ele precisou reaprender a viver de forma analógica, dominando o fogo, a caça e a construção de abrigos, antes que seus talentos inatos de telepatia e ilusionismo começassem a aflorar instintivamente para protegê-lo dos predadores locais.

O Bloqueio Planar e a Aliança no Beligerante

Havia uma anomalia fundamental na tessitura mágica de Ixalan. Qualquer Planeswalker que tentasse deixar as fronteiras do plano era violentamente puxado de volta. Um selamento perfeito envolvia o mundo, transformando um paraíso tropical em uma prisão perpétua.

Neste mesmo cenário, encontrava-se a capitã pirata e Planeswalker górgona Vraska, que fora enviada secretamente a Ixalan a mando de Nicol Bolas.

Subjugada pela mesma restrição cósmica, ela focou seus esforços na pirataria. O destino, tecendo suas ironias, fez com que Jace fosse capturado pela tripulação de Vraska. Desprovido de suas memórias, o mago não carregava os preconceitos e as inimizades de seu passado compartilhado em Ravnica. Jace apresentou-se prestativo, empático e inofensivo. Intrigada pela mudança drástica de seu antigo inimigo, Vraska decidiu poupá-lo, recrutando-o como membro oficial de sua tripulação a bordo do lendário navio, O Beligerante.

A Corrida por Orazca e o Conflito de Facções

O coração do plano pulsava com o chamado da mítica Cidade Dourada de Orazca. Quatro grandes facções convergiram em uma caça ao tesouro frenética, cada uma movida por suas próprias ambições e impulsionada pela fauna titânica do mundo, exemplificada pela majestade de Ghalta, Fome Primordial.

  • Império do Sol: Liderados pelo Imperador Apatzec Inti III e contando com a habilidade militar da Planeswalker guerreira Huatli, o Império buscava recuperar a Cidade Dourada para reconquistar seu antigo domínio territorial sobre o continente, cavalgando temíveis feras anciãs para a guerra.

  • Arautos do Rio: Estes tritões mantinham um antigo juramento de esconder Orazca do mundo. Sob a liderança sábia de Tishana, tentaram manter a paz. Porém, o xamã dissidente Kumena concluiu que a única forma de salvar seu povo era romper o juramento e utilizar o próprio poder de Orazca para repelir os invasores.

  • Coalizão Brônzea: Movida pela ganância, a confederação de piratas comandada pela Capitã Beckett Brass desejava a cidade pelo tesouro infindável. Em meio a eles estava Vraska, que possuía uma vantagem desleal: a Bússola Taumática, um artefato concedido por Nicol Bolas que apontava para o epicentro magnético de Orazca.

  • Legião do Crepúsculo: Cruzando o oceano de Torrezon, esses conquistadores aristocratas e vampiros — liderados por generais brutais como Vona e o fanático Mavren Fein — buscavam a cidade para reivindicar O Sol Imortal. Eles acreditavam que o artefato continha a cura ou iluminação sagrada prometida por sua fundadora, a reverenciada vampira Elenda.

O Despertar de Orazca e o Segredo do Sol Imortal

O clímax da exploração ocorreu quando Kumena, manipulando com maestria a magia dos rios e das cascatas invertidas de Ixalan, localizou e "despertou" Orazca. As colossais espirais douradas ergueram-se acima do dossel verde da selva, alterando a geografia local de forma definitiva. O brilho monumental serviu como um farol mágico, atraindo os exércitos das quatro facções e deflagrando uma guerra total nas antigas escadarias do santuário.

Enquanto a carnificina se desenrolava na superfície, Jace e Vraska deslizaram habilmente pelos dutos fluviais secretos, alcançando as câmaras de contenção nas profundezas da cidade. Lá, eles encontraram O Sol Imortal, o colossal motor narrativo e mágico que mantinha o bloqueio planar.

A história das origens do artefato reescreveu o passado do Multiverso. O Sol Imortal não era uma divindade ou relíquia natural de Ixalan. Ele havia sido forjado há milênios pela milenar esfinge e Planeswalker Azor (o próprio Parun da Guilda Azorius de Ravnica), que sacrificara sua própria Centelha para criá-lo.

A verdade revelou-se estarrecedora: Azor e Ugin haviam concebido um plano audacioso. O Sol Imortal fora projetado para ser a gaiola perfeita para prender Nicol Bolas. O objetivo era atrair o Dragão Ancião para Ixalan e selá-lo eternamente. Contudo, Bolas, sempre um mestre das manipulações temporais e maquinações profundas, antecipou a emboscada e "derrotou" Ugin nos céus de Tarkir. Sem seu aliado e sem sua centelha, Azor ficou isolado, forçado a trancar a si mesmo e o artefato no âmago de Orazca, confiando os selos de proteção aos Arautos do Rio.

A Retomada de Consciência e o Plano de Sabotagem

Nas profundezas de Orazca, durante o tenso confronto para alcançar o centro da cidade, um grave acidente mudou tudo. Jace sofreu uma queda brutal em um abismo aquático. O violento impacto físico e o choque traumático romperam completamente suas barreiras mentais fraturadas. Em uma enxurrada de imagens e dor, todas as suas memórias retornaram, incluindo o massacre de Amonkhet e sua verdadeira identidade como o Pacto das Guildas.

Ao perceber que o homem inocente a seu lado era, mais uma vez, o Mago Mental que ela outrora odiara, Vraska empunhou sua lâmina, mas parou. A jornada e a sobrevivência compartilhadas em Ixalan haviam forjado laços mais fortes do que os ódios do passado. Ela viu o Jace que a havia tratado com verdadeira humanidade. Juntos, eles selaram um pacto de confiança inquebrável: conspirariam para destruir Nicol Bolas por dentro.

A Chegada da Ponte Planar

A iminência de um plano perfeito foi esmagada por uma reviravolta arquitetada pelo próprio Dragão. Bolas nunca planejou que Vraska deixasse o plano vitoriosa; ela era apenas o seu cão de caça, o localizador para o prêmio verdadeiro.

Nesse instante sombrio, o céu do santuário foi rasgado pela magia inorgânica da Ponte Planar. O dispositivo de teletransporte em massa, meticulosamente roubado por Tezzeret em Kaladesh, abriu um portal colossal diretamente no teto da câmara. Sob os olhos impotentes de Jace e Vraska, a energia do portal sugou fisicamente o colossal Sol Imortal, transportando-o através das Eternidades Cegas.

Esse roubo monumental desfez o feitiço de ancoragem cósmica instantaneamente. A remoção do artefato dissolveu o bloqueio planar, devolvendo aos Planeswalkers sua liberdade, mas selando o destino de Ravnica para o vindouro apocalipse que Bolas preparava.

O Custo da Sobrevivência e a Conexão com Dominária

Sabendo que Bolas leria a mente de Vraska assim que ela reportasse seu sucesso e que qualquer vislumbre de aliança entre eles significaria a morte dela, os dois orquestraram um sacrifício amargo.

Jace ofereceu-se para apagar temporariamente, e com precisão cirúrgica, todas as memórias da górgona sobre a amizade deles e o pacto firmado em Orazca. Ele implantou um gatilho telepático sutil: o selo mental se romperia no futuro assim que Jace a chamasse pelo título de "Mestre de Guilda" de volta em Ravnica. Com as memórias lacradas, Vraska partiu como a fria vilã leal que Bolas esperava receber.

Livre das correntes de Ixalan, Jace não apenas vasculhou o Multiverso, mas transplanou fisicamente através das Eternidades Cegas. Ele aterrissou diretamente no convés do lendário navio voador Bons-Ventos no plano de Dominária, localizando o inabalável Gideon Jura. Em um reencontro tenso e apressado, ele comunicou que a resistência não havia terminado, alertando que o foco de Nicol Bolas e o artefato roubado convergiam para Ravnica. Contudo, quando Gideon e as Sentinelas insistiram em permanecer em Dominária para derrotar o demônio Belzenlok primeiro, Jace recusou-se a desviar de seu objetivo principal e partiu sozinho. A instrução e o aviso estavam dados: o palco para a guerra definitiva estava montado no mundo das guildas.

Fontes e Referências

LÜHRS, Alison. Jace, Alone. Wizards of the Coast, 2017. Disponível em: https://magic.wizards.com/en/news/magic-story/jace-alone-2017-09-06

LÜHRS, Alison. The Race, Part 1. Wizards of the Coast, 2017. Disponível em: https://magic.wizards.com/en/news/magic-story/race-part-1-2017-10-11

LÜHRS, Alison. Sabotage. Wizards of the Coast, 2018. Disponível em: https://magic.wizards.com/en/news/magic-story/sabotage-2018-01-31

LÜHRS, Alison. Wool Over the Eyes. Wizards of the Coast, 2018. Disponível em: https://magic.wizards.com/en/news/magic-story/wool-over-eyes-2018-02-14

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