A História de Tarkir: A Fenda Temporal, os Senhores Dragões e o Destino do Multiverso
A fenda temporal foi selada, mas o sacrifício de um único Planeswalker apagou o mundo que ele amava. No gelo impiedoso de Tarkir, o eco de uma batalha cósmica entre divindades dracônicas alterou a balança de poder do Multiverso. O que jaz adormecido dentro de um refúgio de pedra profanado guarda não apenas o destino de cinco cruéis linhagens de sangue, mas a única esperança contra a fome primordial que ameaça devorar Zendikar.
LORE
Fuss
7/12/2026


Estepes açoitadas pelos ventos, picos nevados impiedosos e pântanos tóxicos. À primeira vista, este plano reflete apenas a brutalidade implacável da sobrevivência e as táticas de guerra entre facções em conflito. No entanto, Tarkir é definido por uma profunda dualidade temporal. Mais do que um campo de batalha para senhores da guerra ou um berço para feras colossais, este é o mundo onde o próprio fluxo do tempo foi reescrito para evitar a aniquilação absoluta da criação.
A Linha do Tempo Original (Khans de Tarkir)
O Mundo Sem Dragões e os Cinco Clãs
Na realidade original de Tarkir, os céus há muito haviam se calado. Antigamente, a magia bruta do plano se manifestava através das imponentes Tempestades Dragônicas (Dragon Tempests) — gigantescos vórtices de energia de onde dragões nasciam já adultos e famintos. Estas tempestades eram mantidas e alimentadas pela essência de Ugin, o Dragão Espírito. Contudo, após o trágico desaparecimento de Ugin milênios atrás, as tempestades gradativamente cessaram.


Privados de novos nascimentos dracônicos, as antigas feras dos céus foram brutalmente caçadas até a extinção absoluta pelas civilizações humanoides. Destes matadores de dragões e de suas filosofias de guerra, ergueram-se os cinco grandes clãs de Tarkir, facções que passaram milênios lutando por território e sobrevivência:
Clã Abzan: Senhores do deserto, mestres da resistência e dos vínculos ancestrais, liderados pela fria e calculista Anafenza.
Clã Jeskai: Monges guerreiros astutos habitando mosteiros nas montanhas, guiados pela imensa sabedoria espiritual da Khan Narset.
Clã Sultai: Manipuladores necromânticos e tiranos cruéis das selvas e pântanos, governados pela implacável naga Sidisi.
Clã Mardu: Uma horda nômade aterrorizante baseada na velocidade de ataque, liderada pelo furioso orc Zurgo Quebra-elmo.
Clã Temur: Sobreviventes das neves, profundamente conectados à ferocidade da natureza, comandados pelo indomável Surrak Garra de Dragão.












Nesta realidade esquartejada, os restos mortais de Ugin jaziam em um cânion remoto conhecido como o Nexo de Ugin, um túmulo esquecido onde as leis da física e do tempo começaram a se distorcer devido ao acúmulo de energia inerte de um ser tão antigo.


"De repente, a mente de Sarkhan ficou em silêncio."
A Loucura e o Retorno de Sarkhan Vol
Longe das guerras de clãs, o Planeswalker nativo Sarkhan Vol sofria uma tortura indescritível. Após servir ao perverso dragão ancião Nicol Bolas e testemunhar os terrores celestiais em outros planos, a mente de Sarkhan havia se estilhaçado. Ele retornou ao seu mundo natal assolado por sussurros insuportáveis em sua cabeça: a voz fantasmagórica do espírito de Ugin implorando por seu retorno.


Guiado pelas visões febris, Sarkhan vagou pelo plano até encontrar a Khan dos Jeskai, Narset. Ela foi a única capaz de enxergar além da loucura do Planeswalker, compreendendo que ele carregava o fardo da salvação de Tarkir. Juntos, partiram rumo ao Nexo de Ugin. No entanto, o clã Mardu, liderado pelo vingativo Zurgo Quebra-elmo, os emboscou nas portas do desfiladeiro.
Em um ato de bravura trágica e abnegação, Narset sacrificou a própria vida para deter Zurgo, ganhando os segundos cruciais que Sarkhan necessitava. Envolto em desespero e magia ancestral, Sarkhan atravessou o véu energético no centro do Nexo e foi arremessado 1.280 anos rumo ao passado.
Nota: No momento em que Sarkhan viajou no tempo, o destino do Multiverso foi bifurcado. Todos os eventos desta linha do tempo, como a morte de Narset como Khan, o governo de Zurgo e os próprios clãs originais, deixaram de existir no tecido da realidade, sobrevivendo unicamente como ecos fantasmagóricos na mente curada de Sarkhan Vol.


“A voz me chama para cá, mas eu só vejo ossos. Será mais um truque de dragão?”
— Sarkhan Vol
O Ponto de Divergência: Destino Reescrito (Fate Reforged)
A Batalha dos Dragões Anciões
Quando Sarkhan aterrissou na tundra do antigo plano de Tarkir, ele testemunhou o exato momento que ditou a perdição de seu mundo. Os céus estavam em chamas enquanto as Tempestades de Dragões rugiam. Acima das nuvens, o grandioso e impenetrável Ugin travava um duelo cataclísmico de magia cósmica e força bruta contra seu antigo rival, o malévolo Nicol Bolas.


“Os chamados sussurrados de Ugin levaram Sarkhan Vol ao momento que ecoaria por séculos e selaria o destino de Tarkir: a grande batalha entre Ugin e Nicol Bolas.”
Bolas, sabendo que Ugin era o único ser do Multiverso capaz de desvendar seus planos milenares, viajou para Tarkir com a intenção explícita de aniquilá-lo. Para garantir sua vitória, Bolas corrompeu e manipulou Yasova Garra de Dragão, a Khan dos Temur daquela era. Através de magias de dominação, Yasova forçou as ninhadas menores de dragões a se virarem contra o seu progenitor. Sobrecarregado pelo ataque massivo de seus próprios "filhos" e pelo poder avassalador de Bolas, Ugin foi derrotado. O corpo do Dragão Espírito despencou, colidindo contra o desfiladeiro congelado para encontrar, até então, o que seria a sua morte final.
A Intervenção de Sarkhan e o Casulo de Edros
Assistindo ao evento que deveria garantir o extermínio futuro dos dragões, Sarkhan recusou-se a aceitar a derrota. Aproveitando a ausência presunçosa de Nicol Bolas, que havia deixado o plano acreditando que o trabalho estava concluído, Sarkhan correu até o corpo despedaçado de Ugin.
Em um golpe de puro instinto ou orquestração cósmica, Sarkhan retirou um item de seus pertences: um Fragmento de Edro (Hedron). Sarkhan havia saqueado este pedaço de pedra mística anos antes no Olho de Ugin, as catacumbas no plano de Zendikar. Ao aproximar o cristal zendikari do dragão caído, a magia contida no artefato ressoou. O edro desdobrou-se magicamente, multiplicando-se em uma armadura geométrica colossal, envolvendo o corpo moribundo de Ugin em um inexpugnável casulo de estase.


“Ugin passou centenas de anos adormecido num casulo mágico de pedra que Sarkhan criara a partir de um fragmento de edro zendikari. Enquanto Ugin dormia, seus guardiões espectrais velavam por ele.”
Em vez de morrer, Ugin foi colocado em um torpor de cura. Por estar vivo, embora adormecido, sua conexão mágica com o plano se manteve intacta, o que garantiu que as Tempestades de Dragões continuassem rugindo eternamente pelos céus. Sua missão cumprida, as correntes do tempo puxaram Sarkhan violentamente de volta para o presente.
A Nova Linha do Tempo (Dragões de Tarkir)
O Domínio Absoluto dos Senhores Dragões
Sarkhan ressurgiu em um "presente" irreconhecível. Com o fluxo do tempo corrigido, as Tempestades de Dragões nunca pararam. Os humanoides nunca conseguiram caçar as bestas aladas até a extinção; em vez disso, foram subjugados. Os cinco antigos clãs não existiam mais, tendo sido engolidos e moldados à imagem de cinco gigantescas Ninhadas Dracônicas, lideradas pelos Senhores Dragões primordiais:
Ninhada Dromoka: Focada na resistência vital e sobrevivência rigorosa.
Ninhada Ojutai: Devotada à astúcia mística e erudição marcial sob o comando do dragão estudioso.
Ninhada Silumgar: Envolvida na exploração macabra e enganos mortais em meio a vastos tesouros acumulados.
Ninhada Kolaghan: A própria personificação da fúria da guerra relâmpago, cruzando as estepes com crueldade desenfreada.
Ninhada Atarka: Pura brutalidade e selvageria voraz, regendo os ermos montanhosos com fogo indomável.










Os destinos dos antigos Khans que Sarkhan conhecera foram inteiramente transmutados nesta nova realidade. Zurgo Quebra-elmo, antes o guerreiro mais temido das estepes, agora não passava de um lacaio ressentido e sineiro covarde servindo a Kolaghan. Surrak, o antes líder reverenciado, tornou-se o principal Mestre de Caça de Atarka, oferecendo imensas feras abatidas para a glutonaria infinita de seu lorde.
Mas nem todas as mudanças foram tragédias absolutas. Sarkhan buscou desesperadamente descobrir o que havia acontecido com sua querida companheira. Narset, nesta linha do tempo, não morreu nas garras de orcs, mas tornou-se uma brilhante erudita sob as asas da Ninhada Ojutai. Movida por sua insaciável sede de sabedoria, ela desvendou os arquivos secretos e descobriu a história proibida dos clãs. Quando confrontada pelo próprio lorde dragão Ojutai, em vez de ser aniquilada, sua busca implacável pela verdade foi reconhecida como o ápice da iluminação. A força dessa epifania ativou sua centelha latente, e Narset ascendeu como uma Planeswalker, operando nas sombras para explorar os infinitos mistérios do Multiverso.


O Fio Condutor: Dos Eldrazi à Batalha por Zendikar
A Chegada de Sorin e o Despertar de Ugin
Se as ações de Sarkhan foram focadas em curar sua própria mente e restaurar a glória dracônica ao seu lar, as repercussões de sua intervenção ecoaram pelos confins mais obscuros do Multiverso.
Durante os longos séculos em que Ugin hibernava no casulo de pedra, algo terrível despertou além do firmamento cósmico. Em Zendikar, a temível prisão dos Titãs Eldrazi — abominações primordiais que devoram realidades — havia começado a ruir. Buscando auxílio para lidar com o cataclismo que se aproximava, o lorde vampiro Sorin Markov viajou até Tarkir.


Sorin esperava encontrar os desolados ossos do Dragão Espírito na neve derretida e fracassar em sua última esperança. Contudo, em vez de um túmulo profanado, o vampiro se deparou com a grandiosa construção de pedra e energia arcana: o casulo de edros. Reconhecendo imediatamente a feitiçaria inconfundível ligada a Zendikar, Sorin rompeu as amarras do refúgio místico de pedra. Após 1.280 anos de uma letargia reconstrutora, os grandes olhos luminosos do Dragão Espírito se abriram mais uma vez para a glória dos céus de Tarkir.
O Pacto dos Três e as Instruções Finais
A confusão inicial de Ugin deu lugar ao pavor de uma epifania sombria. Quando Sorin relatou os trágicos eventos que ocorreram durante o milênio em que o dragão permaneceu adormecido, peças macabras do plano de Nicol Bolas se encaixaram.
O despertar dos Eldrazi não havia sido um acidente profético. Sarkhan Vol, Chandra Nalaar e Jace Beleren foram peças vitais meticulosamente manipuladas por Bolas no Olho de Ugin. O dragão nefasto projetou o rompimento dos selos frouxos de Zendikar sabendo exatamente que o grande Ugin estava "morto" (segundo o passado que ele próprio havia forjado) e, por isso, incapaz de coordenar a contenção ou reconstruir a gigantesca malha de edros globais que outrora aprisionou as entidades.
Ao ouvir sobre o descaso milenar e a libertação dos Eldrazi, a imponência e repreensão na voz de Ugin fizeram as neves ao redor tremerem. A contenção dos devoradores de mundos era um milagre de engenharia mágica realizado sob o Pacto dos Três: Ugin concebeu a prisão, Sorin injetou e reteve a força vital titânica, mas foi Nahiri, a Litomante quem canalizou a estrutura da própria geografia e modelou os inquebráveis nós de edros ao longo de Zendikar.
— Onde está a Litomante? — exigiu Ugin a um Sorin desconfortável, que carregava a culpa tácita de uma traição milenar e segredos sombrios que preferia manter enterrados em Innistrad.
Nota: Contaremos sobre essa traição de Sorin em artigos futuros, mas para não te deixar com dúvidas, aqui vai um breve resumo: Sorin traiu Nahiri durante uma antiga batalha em Innistrad, aprisionando-a em um monólito de prata mágica que selava os maiores demônios do plano, chamado de Helvault.
O mandato do dragão foi definitivo e absoluto, sem espaço para as desculpas de um vampiro ancião: Ugin retornaria a Zendikar com o propósito de reconstruir os selos em ruínas e tentar estabilizar o que estivesse sobrado do plano natural em colapso. Simultaneamente, Sorin foi severamente ordenado a abandonar os ermos de Tarkir, varrer os mundos e encontrar o paradeiro de Nahiri (que desapareceu após a destruição do Helvault), reunindo os Três novamente para o confronto final em Zendikar.
Enquanto Sorin levantava voo para cumprir sua sombria promessa (uma busca amaldiçoada que o levaria a uma catástrofe macabra entre as planícies e mansões atormentadas de Innistrad), Ugin canalizou a magia vital do Multiverso e preparou-se para partir rumo ao cume estilhaçado de Zendikar. A odisseia desesperada e obsessiva de Sarkhan não salvou apenas as linhagens dracônicas de Tarkir, mas restaurou, por um fio, a única mente grandiosa o suficiente para arquitetar a sobrevivência dos planos, desencadeando assim a gigantesca e letal Batalha por Zendikar.
