A Saga do Bons Ventos: O Épico Confronto Entre o Legado de Urza e o Império de Phyrexia
Conheça a história da épica Saga do Bons Ventos em Magic: The Gathering. Acompanhe desde o plano milenar de Urza e a criação do Legado, passando pelas batalhas em Rath e Mercádia, até o emocionante sacrifício final de Gerrard Capashen para aniquilar Yawgmoth durante o Apocalipse de Dominária.
LORE


A história do Multiverso foi moldada por conflitos inimagináveis, mas poucos eventos tiveram o peso e a magnitude da jornada da Nau Voadora Bons Ventos (Skyship Weatherlight). Aproximadamente no ano 4205 AR (Cômputo Argiviano), as engrenagens de um plano forjado ao longo de milênios finalmente começaram a se encaixar. A ameaça do império mecânico de Phyrexia pairava sobre o plano de Dominária, e a única esperança de salvação residia em uma coleção de artefatos mágicos, genética manipulada e seres de coragem inabalável.
O Plano Milenar de Urza e a Criação do Legado
Após os devastadores eventos da Guerra dos Irmãos, o Planeswalker Urza dedicou sua existência imortal a um único propósito: destruir o plano corrompido de Phyrexia e seu senhor obscuro, Yawgmoth. Sabendo que a invasão de Dominária era apenas uma questão de tempo, Urza iniciou um ambicioso projeto que levou milhares de anos para ser concluído.
O núcleo desse plano de defesa multiversal foi chamado de O Legado (The Legacy). Esta não era uma arma simples, mas sim uma rede complexa e interconectada composta por artefatos de poder incalculável, tecnologia dos antigos Thran e um minucioso projeto de manipulação genética conhecido como o Projeto Linhagem (Bloodline Project). O objetivo genético era cultivar um guerreiro perfeito, física e mentalmente capaz de unir as peças espalhadas e empunhar todo o poder do Legado. O resultado final de incontáveis gerações de cruzamentos seletivos foi o guerreiro humano Gerrard Capashen.
"Gerrard é o verdadeiro Legado. Os artefatos são apenas as ferramentas para o seu destino." — Karn, Golem de Prata (Flavor Text de Sabedoria de Gerrard)


A Construção da Nau Voadora Bons Ventos
Para que o Legado de Urza pudesse viajar pelos perigos do Multiverso e para que seus fragmentos pudessem ser resgatados e reunidos, era necessária uma embarcação sem precedentes. O Bons Ventos foi o ápice da engenharia mágica e mecânica, desenhado na ilha de Tolária e construído para ser muito mais do que um simples transporte aéreo.
O esqueleto primário do navio foi forjado com o raro Metal Thran, um material imune à temida tísica — a praga de corrupção biológica phyrexiana — e robusto o suficiente para suportar as intensas pressões da travessia entre planos. Para dar vida à estrutura fria do metal, Urza utilizou a Semente do Tempo (Weatherseed), um artefato vivo extraído diretamente do coração da majestosa floresta de Yavimaya. Essa semente mágica tornou a embarcação senciente, concedendo ao casco de madeira a habilidade de se regenerar de danos severos, unindo em harmonia o orgânico com o artificial.
No centro de operações da nau estava alojada a Matriz de Poder (Power Matrix), a verdadeira maravilha tecnológica responsável por gerar a energia massiva necessária para que o Bons Ventos pudesse não apenas voar pelos céus de Dominária, mas rasgar o tecido da realidade e realizar viagens interplanares de forma autônoma.
A genial artífice Jhoira de Ghitu estava no epicentro deste projeto. Escolhida diretamente por Urza devido ao seu intelecto brilhante, ela se tornou a primeira capitã oficial do Bons Ventos, comandando os voos de teste cruciais e as missões iniciais da nau. Durante este período na academia, Jhoira também construiu um forte laço com a peça central do plano de Urza: o golem de prata. Foi ela quem o batizou de Karn, palavra que significa "forte" na antiga língua Thran, tornando-se sua primeira e mais fiel amiga, um elo emocional que moldaria o destino do autômato por milênios.


A Tripulação Original: Lendas Unidos por um Destino
Um navio de tamanho poder não poderia ser operado por marinheiros comuns. Através das maquinações sutis do destino (e da sombra vigilante de Urza), um grupo singular de heróis, guerreiros e renegados se reuniu sob as velas do Bons Ventos.
Capitã Sisay: Assumiu o posto de capitã do Bons Ventos antes ocupado por Jhoira, que precisou dedicar seu tempo entre fendas temporais e lidando com as consequências do desastre em Tolaria. Descendente de uma linhagem nobre e uma navegadora formidável, Sisay dedicou grande parte de sua vida a rastrear e recuperar as peças do Legado. Ela era a alma orientadora do navio, possuindo uma intuição afiada para encontrar os artefatos perdidos.
Gerrard Capashen: O herdeiro relutante. Após uma juventude turbulenta e a tragédia que destruiu sua família adotiva em Benália, Gerrard rejeitou ativamente o seu destino. Ele se afastou do Legado e preferiu viver como um mercenário livre, tentando ignorar o fardo esmagador de ser o salvador profético de Dominária.
Karn, o Golem de Prata: Uma das maiores e mais complexas criações de Urza. Construído a partir de prata mágica pura, Karn tinha o propósito inicial de viajar no tempo, mas logo assumiu o papel de guardar a coleção de artefatos do Legado. Ele portava dentro de si a matriz de personalidade da falecida guerreira phyrexiana renegada, Xantcha. Karn era pacifista por natureza e detestava o uso da força, apesar de ser dotado de resistência e força incomensuráveis.
Mirri: Uma guerreira felina guerreira de agilidade formidável. Treinada nas copas das árvores da floresta de Llanowar sob a tutela do maro-feiticeiro Multani — período em que conheceu e formou um forte vínculo de lealdade com Gerrard —, Mirri se tornou a força de combate principal e os olhos atentos da tripulação.
O Sequestro de Sisay e o Chamado para Rath
O gatilho que uniu de forma definitiva o caminho de Gerrard ao convés do Bons Ventos não foi um chamado ao heroísmo desinteressado, mas sim a necessidade urgente de combater uma tragédia pessoal. O cenário dessa incitação foi o sombrio plano artificial de Rath, um mundo inteiramente composto por rocha de fluxo (um material capaz de alterar sua massa e forma) e dominado por predadores e forças hostis. Este plano era governado com mão de ferro pelo maligno Evincar Volrath.
Anteriormente conhecido como Vuel, Volrath cresceu como o irmão de criação de Gerrard. No entanto, o ressentimento profundo, a inveja do destino grandioso de Gerrard e, posteriormente, a influência sinistra e a engenharia sombria de Phyrexia o corromperam de maneira irreversível. Como atual lorde de Rath e servo devoto da invasão, Volrath sabia perfeitamente o papel essencial de seu antigo irmão de sangue no grande esquema cósmico.
Em um movimento calculado e frio para atrair o herdeiro para o seu domínio letal, Volrath orquestrou o sequestro brutal da Capitã Sisay, arrancando-a de Dominária e mantendo-a aprisionada nas profundezas da sua Fortaleza, no coração de Rath. A notícia do desaparecimento de sua mentora e figura fraterna forçou Gerrard Capashen a abandonar de vez seu exílio autoimposto.
Ele retornou ao Bons Ventos não para cumprir as expectativas de Urza, mas como um homem determinado a resgatar sua capitã. Com Gerrard assumindo a liderança relutante, a Matriz de Poder foi acionada. As turbinas mágicas rasgaram o céu, e a nau lançou-se em direção aos céus vulcânicos e tempestuosos de Rath, dando início não apenas a uma missão de resgate, mas à epopeia mais vital da história do Multiverso.
Os Céus Hostis de Rath e a Queda de Gerrard
Assim que o Bons Ventos materializou-se nos céus cinzentos de Rath, a tripulação foi imediatamente emboscada pelo Predador (Predator), a belonave capitânia das forças do Evincar, comandada pelo implacável comandante cibernético Greven il-Vec. O ataque foi devastador. Durante o caótico combate aéreo sobre o mar de rocha de fluxo, o minotauro Tahngarth foi capturado pelas forças inimigas após demonstrar sua fúria característica.
No ápice da batalha, Gerrard Capashen foi jogado para fora do convés do Bons Ventos, despencando em direção à superfície desconhecida do plano. Separada de seu líder e com o navio seriamente danificado, a tripulação sobrevivente, agora liderada pela engenheira Hanna e pelo navegador Mirri, foi forçada a buscar refúgio e reparos na misteriosa floresta de Skyshroud, um ecossistema dominariano que havia sido arrancado de seu mundo original e integrado artificialmente a Rath.




Linhas de Frente: As Facções em Conflito
O destino do plano dependia do embate direto entre duas forças de ideologias completamente opostas, cujos exércitos se chocaram ao longo das terras mutáveis de rocha de fluxo:
A Aliança de Resistência de Dominária: Composta pela tripulação multiespécies do Bons Ventos e apoiada pelos rebeldes nativos de Rath. Esta coalizão uniu os elfos de Skyshroud, sob a liderança do determinado Eladamri, e os humanos das tribos nômades dos Vec, Dal e Kor, todos sobreviventes da tirania do Evincar.
As Forças de Opressão de Rath: Sediadas na impenetrável Fortaleza de Volrath, este exército contava com legiões de goblins modificados conhecidos como Moggs, soldados cibernéticos phyrexians, carniceiros de rocha de fluxo e os terríveis Fractius (Slivers), criaturas de mente coletiva utilizadas como cães de guarda biológicos.
A Invasão à Fortaleza e o Preço do Resgate
Após sobreviver à queda graças à intervenção dos rebeldes locais, Gerrard conseguiu se reunir com a tripulação do Bons Ventos. Com a ajuda do conhecimento geográfico de Eladamri, os heróis traçaram um plano de infiltração nos poços de ventilação da Fortaleza de Volrath, uma estrutura gigantesca construída sobre as entranhas de onde brotava a rocha de fluxo do plano.
Lá dentro, o horror da engenharia phyrexiana revelou-se por completo. A tripulação conseguiu localizar a Capitã Sisay viva, mas sob forte tortura psicológica. O minotauro Tahngarth também foi resgatado, porém seu corpo orgulhoso havia sido cruelmente desfigurado por experimentos bio-mecânicos ordenados por Greven.
"Seja qual for a escolha de Gerrard, eu venço." — Volrath (Flavor text da carta Intuição)
O confronto direto com Volrath revelou-se uma armadilha psicológica cruel. O Evincar usava suas habilidades de metamorfose para atormentar Gerrard, assumindo a forma de seu antigo irmão de criação, Vuel. Enquanto o duelo físico e mental se desenrolava, tragédias paralelas selavam o destino de membros vitais da tripulação.
O nobre Crovax, atormentado pela perda de sua amada, encontrou o anjo caído Selenia, que atuava como guardiã da Fortaleza. Ao desferir o golpe fatal para destruir o anjo e libertar sua alma, Crovax absorveu uma terrível maldição de sangue. O ato fragmentou sua sanidade de forma irreversível, iniciando sua transformação em um vampiro sádico e violento. Durante o surto de loucura que se seguiu, a guerreira felina Mirri sacrificou sua própria vida para proteger Gerrard dos ataques do enlouquecido Crovax, morrendo nos corredores escuros da Fortaleza.
A Fuga Desesperada e o Sacrifício em Rath
Com os prisioneiros resgatados, mas com o coração pesado pelas perdas e traições, a tripulação recuou para o Bons Ventos, que pairava próximo aos portões da Fortaleza. Para escapar de volta a Dominária, o navio precisava utilizar um portal planar artificial localizado no complexo do Evincar, controlado por uma imensa infraestrutura mágica.
O jovem e arrogante prodígio de Tolária, o mago Ertai, voluntariou-se para permanecer em solo firme, utilizando seus vastos conhecimentos arcanos para sintonizar a energia do portal e mantê-lo aberto tempo suficiente para a passagem da nau voadora. Conforme o Bons Ventos acelerava em direção à fenda dimensional, as hordas de Volrath cercaram a posição do mago.
Ertai manteve o portal aberto até o último segundo necessário, garantindo a salvação de seus companheiros, mas a fenda fechou-se abruptamente antes que ele pudesse escapar. Deixado para trás à mercê das forças sombrias de Rath, o destino do jovem mago seria selado pela corrupção. Enquanto isso, o Bons Ventos, avariado e sem rumo exato no éter dimensional, foi arremessado para fora de sua rota original, emergindo nos céus do plano comercial de Mercádia.
“Nunca pensei que passaria a minha vida lutando. Sou uma construtora, não uma destruidora.”


O Desvio em Mercádia e o Despertar da Invasão Phyrexiana
Após escapar por pouco do plano de Rath através de um portal planar instável, a nau voadora Bons Ventos não retornou imediatamente para casa. O esgotamento da Matriz de Poder e os danos estruturais sofridos em combate arremessaram a embarcação e sua tripulação para as coordenadas de Mercádia, um plano comercial bizarro, caracterizado por uma montanha invertida que flutua sobre os céus. Este período de isolamento e conspiração testaria a liderança de Gerrard Capashen e revelaria que os tentáculos de Phyrexia alcançavam mundos muito além do conhecimento de Dominária.
A Queda em Mercádia e a Conspiração Kyren
Ao colidir contra as terras mercadianas, o Bons Ventos foi confiscado pelas autoridades locais. Sem a liderança da Capitã Sisay, que ainda se recuperava dos traumas de seu cativeiro, Gerrard assumiu a responsabilidade de guiar os sobreviventes através de uma complexa teia política. A cidade de Mercádia era governada por aristocratas corruptos, os Magistrados, que mantinham uma rígida divisão social e exploravam os rebeldes conhecidos como Ramosianos.


Durante a estadia forçada, a tripulação descobriu uma verdade alarmante: os conselheiros mais influentes da elite mercadiana eram os Kyren, uma subespécie de goblins altamente inteligentes. Longe de serem meros burocratas, os Kyren atuavam como agentes adormecidos a serviço do império mecânico de Phyrexia. O plano deles era manter o Bons Ventos incapacitado enquanto preparavam o terreno para o avanço das forças de Yawgmoth.
Para reparar o navio, os heróis aliaram-se aos rebeldes Ramosianos e iniciaram a busca pelas partes do deus dragão mecânico Ramos. Essas relíquias antigas eram, na verdade, poderosas pedras de poder e artefatos que integravam o próprio Legado de Urza. Ao reunir esses componentes, a engenheira Hanna conseguiu não apenas restaurar o funcionamento do Bons Ventos, mas também aprimorar seus sistemas de salto planar. Com a rebelião instaurada e a farsa dos Kyren exposta, a tripulação finalmente conseguiu decolar, deixando o plano comercial para trás e navegando de volta ao seu lar.


"Sem dizer uma palavra, Gerrard e Sisay correram montanha adentro. Nenhum dos dois pretendia deixar Mercadia sem o Bons Ventos e sua tripulação."
"Com uma explosão que abalou os alicerces da cidade, o Bons Ventos irrompeu do hangar subterrâneo."
O Retorno a Dominária e o Alvorecer da Invasão
O retorno do Bons Ventos a Dominária coincidiu com o início do evento cataclísmico que Urza previra por milênios: a Invasão Phyrexiana. O ano era 4205 AR, e os céus de todo o plano foram rasgados por portais planares negros, de onde choveram naves de peste, engenhos de guerra biomecânicos e legiões de soldados modificados.
O conflito rapidamente forçou a união de raças e nações historicamente rivais, estabelecendo as linhas de batalha que decidiriam o futuro da existência.
A Coalizão de Dominária: Sob o comando estratégico do Planeswalker Urza e a liderança militar de Gerrard Capashen, esta aliança unificou os reinos humanos de Benália e Nova Argívia, os elfos das florestas de Llanowar e Yavimaya, as forças navais de Vodália e os exércitos artificiais de Metathran criados em laboratório.
As Forças de Invasão de Phyrexia: Uma máquina de guerra industrializada e implacável, liderada em campo pela general cibernética Tsabo Tavoc. A máquina invasora contava com o suporte logístico do plano de Rath, que começou a se sobrepor fisicamente a Dominária sob as ordens do novo Evincar, o outrora nobre tripulante do Bons Ventos, Crovax.
O Bons Ventos tornou-se a ponta de lança da Coalizão. Sua habilidade de manobra aérea e a capacidade de desferir ataques rápidos contra os cruzadores phyrexianos transformaram o navio no maior símbolo de resistência dos povos livres de Dominária.
A Tragédia de Hanna e o Peso do Destino
A guerra total trouxe consequências devastadoras para o núcleo da tripulação. Durante a violenta batalha pela defesa das regiões de Benália, a general inimiga Tsabo Tavoc utilizou armas biológicas projetadas para espalhar uma peste carniceira e incurável. Uma dessas toxinas infectou e ceifou a vida da navegadora Hanna.


A perda de Hanna despedaçou o espírito de Gerrard e abalou a estrutura interna da embarcação. Como filha do seu antigo amigo e Planeswalker Barrin e mente brilhante por trás dos reparos do navio, sua ausência deixou uma lacuna técnica e emocional impossível de preencher. O luto de Gerrard transformou-se em uma obsessão perigosa, tornando-o vulnerável às futuras manipulações de Yawgmoth, que utilizaria a promessa de ressucitar a navegadora como moeda de troca para corromper o herdeiro do Legado.
"Não luto por um 'bem' generalizado. Luto por pessoas específicas, como Gerrard e Sisay, e pelo mundo onde elas possam viver em paz." — Hanna, Navegadora do Bons Ventos
Mesmo sob o manto da tragédia, o navio continuou sua missão. Com o avanço da sobreposição planar de Rath, as forças de Dominária recuavam em diversas frentes. O destino do Multiverso agora dependia da ativação completa do Legado, uma decisão que exigiria o sacrifício final de cada membro sobrevivente do Bons Ventos.
A Ofensiva dos Nove Titãs e a Traição de Urza
Enquanto a Nau Voadora Bons Ventos e a Coalizão defendiam ferozmente a superfície de Dominária, Urza concluiu que uma defesa passiva apenas adiaria a extinção. Seu contra-ataque definitivo consistia em invadir a própria esfera de Phyrexia. Para isso, ele reuniu nove Planeswalkers, equipando-os com imensas armaduras mecânicas conhecidas como os Motores Titãs (Titan Engines). Este grupo, apelidado de os Nove Titãs, tinha a missão de plantar bombas de alma destrutivas no coração do império de Yawgmoth.
No entanto, a mente de Urza, fraturada por milênios de guerra e culpa desde a Guerra dos Irmãos, revelou-se a maior falha de seu próprio plano. Ao adentrar as esferas mais profundas de Phyrexia, Urza não sentiu repulsa, mas sim uma reverência doentia. Ele enxergou na grandiosidade industrial e na perfeição da bioengenharia de Yawgmoth a obra-prima definitiva. Rendendo-se à magnificência de seu maior inimigo, Urza traiu os Nove Titãs, desativou as bombas e ajoelhou-se perante o Deus das Máquinas.
"A grande obra de Yawgmoth estava completa. Urza, seu maior inimigo, havia se tornado seu servo mais poderoso." — J. Robert King, Apocalypse


A Arena de Yawgmoth: Gerrard Contra Urza
A corrupção alcançou também o guerreiro destinado a salvar o mundo. Devastado pela morte de sua amada Hanna, Gerrard Capashen tornou-se um alvo fácil para as manipulações psicológicas de Yawgmoth. O senhor de Phyrexia ofereceu a Gerrard o impossível: a ressurreição de Hanna e o fim de seu sofrimento, desde que ele jurasse lealdade ao império das máquinas.
Para provar sua devoção e divertir sua nova divindade, Yawgmoth colocou suas duas maiores conquistas para lutarem até a morte na Arena Phyrexiana: Gerrard, o auge da perfeição genética humana, contra Urza, despojado de sua centelha de Planeswalker e reduzido à mortalidade. A batalha foi brutal e sangrenta. Alimentado pelo luto e pela fúria, Gerrard conseguiu superar o criador de seu destino, desferindo um golpe letal e decapitando Urza.
Mas a recompensa de Yawgmoth foi uma mentira cruel. A criatura que o Deus das Máquinas apresentou como Hanna era, na verdade, uma metamorfa phyrexiana disfarçada. Ao perceber a ilusão e a verdadeira extensão da malícia de seu inimigo, Gerrard rejeitou a oferta. Em um ato de rebelião desesperada, ele destruiu a falsa Hanna, agarrou a cabeça ainda viva (graças aos seus olhos mágicos) de Urza e fugiu de Phyrexia, retornando ao convés do Bons Ventos.


O Deus das Máquinas em Dominária e a Batalha Final
A fúria de Yawgmoth pela traição de Gerrard transcendeu os limites de seu plano artificial. Pela primeira vez em milhares de anos, o Inefável deixou as entranhas de Phyrexia e manifestou-se fisicamente em Dominária. Ele não chegou na forma de um guerreiro, mas como uma nuvem colossal e letal de névoa negra e magia necromântica, grande o suficiente para cobrir continentes inteiros. Por onde a sombra de Yawgmoth passava, os vivos morriam instantaneamente, e os mortos erguiam-se para lutar por ele.
Sob o comando da navegadora heroica Capitã Sisay, o Bons Ventos fez sua última e desesperada investida. A embarcação conseguiu canalizar o poder da Lua Nula (Null Moon) — uma antiga estação espacial dos Thran carregada com mana branco puro —, disparando um feixe de luz maciço contra a nuvem da morte. Embora o ataque tenha queimado parte da forma do deus das máquinas, não foi o suficiente para aniquilá-lo. O navio tombou, caindo nas terras devastadas de Urborg.
"O fim nunca foi sobre sobrevivência. Foi sobre garantir que houvesse um mundo para os que ficassem." — Gerrard Capashen
A Arma do Legado e a Ascensão de Karn
No solo de Urborg, rodeados pelas hordas infinitas de mortos-vivos e sob a sombra esmagadora de Yawgmoth, restava apenas a etapa final e irreversível do plano original. Urza, cuja consciência ainda habitava sua cabeça decepada, revelou a Gerrard a amarga verdade sobre o Legado: ele não era apenas uma coleção de artefatos. A Arma do Legado só poderia ser disparada se todas as suas partes convergissem simultaneamente no mesmo ponto — isso incluía o Bons Ventos, os artefatos mágicos, o golem Karn, as Pedras de Poder (a Pedra do Vigor e a Pedra da Fraqueza, que serviam como os olhos de Urza) e, o mais importante, a força vital do próprio Gerrard.
Em um momento de aceitação solene de seu destino, Gerrard arrancou as pedras mágicas das órbitas da cabeça de Urza, encerrando de vez os milênios de vida do antigo Planeswalker. Com suas últimas forças, Gerrard cravou as pedras no peito de prata de Karn.
O contato das pedras de poder ancestrais com a matriz do golem, alimentado pelo sacrifício da vida de Gerrard, completou o circuito místico. A Arma do Legado detonou. Uma onda de choque cataclísmica de luz purificadora varreu Dominária, desintegrando completamente a essência de Yawgmoth e erradicando as forças phyrexianas remanescentes do plano.


"Num único lampejo cegante, Yawgmoth foi obliterado e Urza pôde, enfim, descansar."
Quando o brilho ofuscante finalmente se dissipou, a guerra havia acabado. Yawgmoth estava morto. Urza e Gerrard haviam pago o preço final. Dos destroços da maior vitória que o Multiverso já testemunhara, ergueu-se Karn. Ao absorver as pedras de poder e o poder da Arma do Legado, o golem de prata transcendeu sua existência mecânica, herdando a centelha de Planeswalker de seu criador. Com o sacrifício e a coragem daqueles que caíram eternizados em sua memória, Karn, o Planeswalker Libertado, ascendeu aos céus de uma Dominária ferida, mas enfim livre, encerrando para sempre a majestosa e trágica Saga do Bons Ventos.
Comparações Entre as Duas Eras do Bons Ventos
A trajetória da lendária nau voadora pode ser dividida de forma clara entre as duas grandes gerações que operaram seus conveses ao longo da história:
A Tripulação Original (Era de Ouro): Focada na busca obstinada pelos artefatos do Legado espalhados pelo Multiverso, com liderança baseada na linhagem de Capashen e na maestria de Sisay, enfrentando diretamente a primeira grande invasão de Yawgmoth.
A Nova Tripulação (Era Moderna): Reunida séculos depois para combater remanescentes malignos em Dominária, caracterizada por descendentes diretos das linhagens originais e novos aliados focados em expurgar a seita da Cabala.
O Renascimento das Cinzas: A Nova Tripulação
Muitos séculos após o sacrifício em Urborg, quando a história da nau pareceu enterrada sob as areias do tempo, Jhoira retornou para reivindicar o legado que ajudara a construir. Durante os eventos da crise contra a seita da Cabala, a artífice imortal localizou os destroços originais da embarcação que repousavam no fundo do mar de Urborg.
Utilizando uma nova semente mágica cultivada a partir do maro-feiticeiro Molimo e restaurando os sistemas com um motor de energia Thran totalmente renovado, Jhoira trouxe o Bons Ventos de volta à vida. Ela assumiu novamente o posto de capitã, liderando uma tripulação completamente nova em uma campanha heróica para derrotar o lorde demônio Belzenlok.
Essa nova geração contou com guerreiros formidáveis, incluindo Shanna Sisay (descendente direta da antiga capitã), o jovem mago Raff Capashen, a anjo guardiã Tiana, o vampiro penitente Arvad e a peculiar criatura saprófita Slimefoot. Ao erguer as velas de lona sobre o metal regenerado, o novo Bons Ventos provou que, embora homens e eras passem, o maior símbolo de esperança e resistência de Dominária jamais poderia ser verdadeiramente destruído.
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