O Despertar dos Eldrazi: A Queda de Zendikar e o Alvorecer de uma Ameaça Cósmica
Um dragão ancestral moveu suas peças no escuro, e o desespero de uma guardiã fragmentou a única barreira entre a existência e a entropia absoluta. O que repousava nas montanhas não era um mero mito, mas a própria fome cósmica aguardando o estopim de uma chama incolor para devorar o tecido da realidade.
LORE
Fuss
7/9/2026


A libertação dos Eldrazi em Zendikar ecoa como um dos eventos mais cataclísmicos da Era Pós-Emenda. Este desastre sem precedentes não apenas desfigurou o ecossistema e a identidade de um mundo inteiro, mas também projetou uma sombra de aniquilação cósmica sobre o futuro do Multiverso. O advento desta ameaça insondável seria o catalisador que, tempos depois, forçaria heróis a abandonar sua natureza solitária e a forjar o juramento das Sentinelas. O alvorecer de deuses ancestrais transformou um outrora glorioso mundo de aventuras em um teatro de guerra apocalíptico, regido pelo desespero e pela sobrevivência.
O Estado de Zendikar e a Prisão Milenar
A Ameaça Adormecida e o Turbilhão
Antes da ruína, Zendikar era reverenciado como um plano de mana selvagem e abundante, um mundo de paisagens impossíveis e belezas mortais. No entanto, sua terra volátil não era apenas uma anomalia geográfica. O plano reagia violentamente através de um fenômeno conhecido como O Turbilhão (The Roil), espasmos sísmicos e tempestades arcanas que agiam como um sistema imunológico planetário, lutando em vão contra uma infecção parasítica sepultada em suas entranhas.


Milênios antes, uma aliança forjada entre três planeswalkers pré-Emenda — o Dragão Espírito Ugin, o vampiro Sorin Markov e a litomante Nahiri — selou o destino do plano. Juntos, eles atraíram e aprisionaram os Eldrazi em sua forma física usando uma colossal rede de pedras mágicas conhecidas como edros. O epicentro desta teia de contenção estava encravado nas montanhas implacáveis de Akoum, onde o selo principal e a câmara central repousavam, envoltos em silêncio e mito.






O Esquema de Nicol Bolas
Peças no Tabuleiro: Sarkhan, Chandra e Jace
O que parecia ser uma trágica coincidência era, na verdade, uma sinfonia de destruição regida pelo Dragão Ancião Nicol Bolas. Embora seus motivos insidiosos só viessem a ser compreendidos em sagas futuras, sua manipulação direta foi a faísca que incendiou o estopim de Zendikar. Nicol Bolas moveu seus peões com precisão matemática.
O primeiro a cair em sua teia foi Sarkhan Vol. Quebrado e com a mente fragmentada pelas vozes sussurrantes do dragão, o xamã foi enviado às profundezas de Akoum para guardar as ruínas. Longe dali, Nicol Bolas orquestrou eventos para que a piromante Chandra Nalaar roubasse o Pergaminho do Dragão no plano de Kephalai. Este artefato profano não era um mero papiro, mas um mapa arcano que apontava diretamente para o coração da prisão ancestral. No encalço de Chandra Nalaar vinha Jace Beleren. Embora sua caçada houvesse começado sob as ordens e manipulações do Consórcio Infinito, o mago mental agora agia por conta própria, impelido pela responsabilidade de rastrear a piromante e neutralizar a perigosa magia do pergaminho. Sem que soubessem, os planos de Jace serviram perfeitamente aos propósitos do Dragão Ancião, garantindo que o palco estivesse montado e as peças estivessem exatamente em seus devidos lugares.






O Confronto no Olho de Ugin
A Ignição do Fogo Incolor
O destino convergiu no Olho de Ugin, a câmara subterrânea monumental que funcionava como a verdadeira fechadura da prisão cósmica. Quando Chandra Nalaar adentrou as ruínas, encontrou um Sarkhan Vol ensandecido, que prontamente a atacou por tomá-la como uma intrusa. O embate atraiu Jace Beleren, selando o requisito primário desenhado por Ugin: a presença simultânea de três centelhas de planeswalkers.


“Tantos já morreram na busca daquele mapa. E agora ele aparece nas mãos de uma criança arrogante, Chandra Nalaar.”


Durante o desespero do combate, a piromante buscou em suas memórias os feitiços proibidos do pergaminho que havia roubado. Ela canalizou o Lumespectro (Ghostfire), a chama incolor e invisível, assinatura mágica do próprio Ugin. Ao conjurar esta magia no interior da câmara, na presença das três centelhas ativas, a fechadura complexa não pôde distinguir amigos de deuses. O primeiro selo se partiu, quebrando a estagnação milenar.
“Um olho que se fecha. Uma raça que desperta.”


“Apenas os que têm o dom do olho de Ugin, o dragão-espírito, podem ver seu bafo de fogo.”
O Despertar dos Titãs Eldrazi
A Chegada de Sorin e o Erro Fatal de Nissa
Sentindo as amarras de sua obra milenar se desfazerem através das Eternidades Cegas, Sorin Markov viajou às pressas para Zendikar. Nos túneis sombrios, ele cruzou o caminho com Nissa Revane, uma elfa planeswalker cujas raízes estavam profundamente ligadas ao plano. Sorin Markov buscava restaurar os grilhões mágicos, mas encontrou resistência cega.


Desconfiada das intenções do vampiro ancestral e manipulada por crenças de que a terra precisava ser expurgada, Nissa Revane tomou uma decisão que condenaria o Multiverso. Ela acreditava que, se a prisão fosse totalmente rompida, os Eldrazi abandonariam Zendikar em busca de outros mundos, poupando assim o seu lar. Ignorando os avisos sombrios de Sorin, ela desferiu um ataque místico que estilhaçou o edro central.
Nota dos Arquivos do Cânone: A partir de 2015, os registros históricos oficiais passaram a divergir ligeiramente sobre as motivações exatas da elfa. Relatos antigos (do romance "In the Teeth of Akoum") descrevem a ação de Nissa Revane como guiada por profunda xenofobia e egoísmo, já que ela odiava vampiros e não confiava em ninguém que não fosse elfo. Contudo, tomos mais recentes da história (durante os eventos de "Magic Origins") suavizam esse evento, pintando a quebra do selo menos como malícia intencional e mais como um erro de cálculo nascido do mais puro desespero e ingenuidade.
A Devastação e o Chamado por Ajuda
O Triunfo da Poeira
O estrago estava feito. Da crosta despedaçada do mundo, ergueram-se os três Titãs Eldrazi: Ulamog, o Vórtice Infinito; Kozilek, Carniceiro da Verdade; e Emrakul, o Fragmento dos Éons. Em sua glória hedionda e imensa, eles rasgaram os céus, acompanhados por enxames incalculáveis de proles e zangões devoradores.






A resposta de Zendikar foi imediata e inútil. Montanhas murcharam, florestas verdejantes e oceanos vibrantes foram obliterados e transformados em um pó de giz estéril à medida que os deuses-cegos se alimentavam da própria essência vital do mundo. Amaldiçoando a ignorância de Nissa Revane, Sorin Markov abandonou o plano à sua ruína, partindo para buscar aliados antigos.


“A ascensão dos Eldrazi não é necessariamente uma coisa ruim, desde que você já tenha vivido uma vida completa e satisfatória.” —Javad Nasrin, caçadora de relíquias de Ondu
No meio da carnificina, o planeswalker Gideon Jura testemunhou a majestade horrível da aniquilação. Lutando ao lado de soldados mortais e nômades no assentamento de Forte Keff, a verdade amarga se cristalizou em sua mente: espadas e lanças não poderiam matar conceitos cósmicos. Compreendendo que Zendikar pereceria se lutasse sozinha, Gideon Jura virou as costas para o plano que desmoronava e partiu rumo a Ravnica, buscando reforços capazes de combater o fim dos tempos.


A Batalha por Zendikar não estava apenas começando; a realidade em si estava prestes a colapsar.
