Nicol Bolas: A História do Dragão Ancião e Tirano do Multiverso
Conheça a história de Nicol Bolas, o grandioso Dragão Ancião de Magic: The Gathering. Conheça suas origens, seus planos de dominação e sua queda em Ravnica.
PLANESWALKERS E TRIBOS


Entre todas as ameaças que já assombraram o Multiverso de Magic: The Gathering, nenhuma foi tão meticulosa, paciente e devastadora quanto Nicol Bolas. Ele não é apenas um dragão; é a personificação da ambição desmedida, um gênio tático que manipulou deuses, destruiu civilizações e orquestrou guerras interplanares apenas para satisfazer seu imenso ego. Sua história é um épico de poder absoluto, megalomania e uma busca incansável pela divindade.
O Nascimento e a Guerra dos Dragões Anciões
A existência de Nicol Bolas começou muito antes da humanidade erguer suas primeiras grandes cidades. Ele nasceu no plano de Dominária, forjado a partir da essência vital em queda do Ur-Dragão, a entidade primordial que deu origem aos dragões no Multiverso. Diferente da maioria de seus irmãos, ele nasceu como um gêmeo. Seu irmão, Ugin, era uma criatura de natureza contemplativa e curiosa, enquanto Bolas era impulsionado por um desejo inato e predatório de dominação.
A rivalidade entre os dois começou logo nos primeiros momentos de vida. Bolas foi o único dragão ancião a nascer sem um nome próprio composto, adotando a alcunha de "Nicol" apenas mais tarde. Esse sentimento inicial de inferioridade moldou sua mente, transformando-se rapidamente em uma arrogância implacável e cruel. Durante a cataclísmica Guerra dos Dragões Anciões, uma batalha colossal pela supremacia e sobrevivência em Dominária, Bolas percebeu que apenas a força bruta não seria suficiente para governar de forma absoluta. Ele precisava usar o intelecto, a traição e a manipulação.
Foi nessa era ancestral que ele reivindicou para si metade do vasto império de Madara. Após derrotar um colossal leviatã demoníaco em um combate mágico de proporções apocalípticas que rachou o próprio solo do continente, o estresse e a euforia do triunfo acenderam sua centelha de Planeswalker. Ele agora transcendia as fronteiras de seu mundo, tornando-se uma divindade com acesso irrestrito às infinitas realidades do Multiverso.
A Ruína da Emenda e o Consórcio Infinito
Por dezenas de milênios, Nicol Bolas governou os céus e os planos como uma verdadeira força da natureza. No entanto, o evento cósmico multiversal conhecido como a Emenda alterou a estrutura da realidade e a natureza fundamental das centelhas dos Planeswalkers. Eles deixaram de ser entidades imortais quase onipotentes e foram rebaixados a mortais superpoderosos. Para o dragão dourado, a mortalidade era uma ofensa intolerável. O medo visceral de envelhecer, perder seu poder e desaparecer tornou-se o combustível para o seu maior e mais sombrio plano: recuperar a divindade cósmica custe o que custar.
Para iniciar sua jornada de ascensão, ele criou o Consórcio Infinito, uma complexa organização interplanar de assassinos, mercadores e magos usada para reunir recursos estratégicos, artefatos e informações cruciais sem revelar seu verdadeiro líder. Ele teceu uma teia de caos pelo Multiverso, forçando eventos cataclísmicos como a colisão dos fragmentos do plano de Alara apenas para absorver as massivas energias caóticas do Confluxo. Tempos depois, ele orquestrou de longe a liberação dos titãs devoradores de mundos conhecidos como Eldrazi no plano de Zendikar, utilizando peões que não entendiam a escala de seu jogo, como Sarkhan Vol, Jace Beleren e Chandra Nalaar.
"Sempre há um poder maior." — Nicol Bolas


Para entender a complexidade das maquinações do dragão e a escala de seus inimigos, é fundamental observar as profundas diferenças filosóficas entre os gêmeos primordiais, cuja rivalidade secreta moldou o destino de incontáveis mundos:
Nicol Bolas: Focado inteiramente no egoísmo, na paranoia e na subjugação absoluta. Acredita que o poder existe para ser concentrado em suas garras e usado para moldar o universo à sua própria imagem. Seu domínio das magias de Grixis (mana Azul, Preto e Vermelho) reflete uma mente voltada para a crueldade, a destruição de pensamentos, a ilusão e a fúria abrasadora.
Ugin, o Dragão Espírito: Focado no equilíbrio cósmico, no estudo empírico e na preservação das leis da vida. Compreende que o Multiverso é um ecossistema frágil e busca proteger sua estrutura. Ele domina a complexa magia incolor, transcendendo as limitações das cores tradicionais do mana e operando nos bastidores com profunda paciência.
A Criação dos Eternos em Amonkhet
A mente brilhante de Nicol Bolas compreendia uma verdade dolorosa: para enfrentar as forças combinadas do Multiverso e reivindicar seu trono, ele precisava de um exército que nunca sentisse medo, dúvida ou hesitação. Seu olhar cruel recaiu sobre o vibrante plano de Amonkhet. Ele não se contentou em apenas conquistar o mundo; ele o reescreveu do zero. Bolas invadiu o plano, aniquilou sumariamente os deuses adultos originais e corrompeu os deuses mais jovens, alterando completamente a magia e a religião local. Ele transformou a civilização outrora pacífica de Amonkhet em uma gigantesca e cínica fábrica de abate militar.
Os cidadãos da cidade de Nactamon passaram a viver inteiramente para treinar, com o único objetivo de morrerem de forma violenta em provas de combate gloriosas. Eles acreditavam cegamente que o retorno de seu "Faraó-Deus" lhes garantiria a ascensão a um pós-vida idílico. A terrível e grotesca verdade era que os guerreiros mais bem-sucedidos tinham seus cadáveres exumados e seus corpos embalsamados em Lazotep, um misterioso minério azul que retinha habilidades de combate mortais e envolvia matéria orgânica morta em um casulo impenetrável, permitindo que resistissem a viagens por entre os planos sem possuírem uma centelha. Eles renasciam como os Eternos, soldados mortos-vivos perfeitos, implacáveis e absolutamente leais a Nicol Bolas.
Quando a organização conhecida como as Sentinelas (um grupo de Planeswalkers heroicos que juraram proteger o Multiverso de ameaças cósmicas) viajou para Amonkhet com a ilusão de derrotá-lo em combate direto, o dragão mal precisou se levantar. Ele esmagou a resistência das Sentinelas com uma facilidade humilhante: quebrou a mente brilhante de Jace, estilhaçou a defesa impenetrável de Gideon Jura, superou o poder bruto e a necromancia de Liliana Vess e subjugou as forças elementais de Chandra e Nissa Revane. Foi um massacre unilateral meticulosamente coreografado para provar que a resistência era fútil.


A Guerra da Centelha e a Queda de um Deus


O ápice de incontáveis milênios de planejamento manipulador finalmente convergiu para a mega-cidade planar de Ravnica. O plano arquitetado pelo dragão era assustadoramente complexo, envolvendo múltiplas linhas do tempo e peças espalhadas por realidades distintas. Utilizando a Ponte Planar — uma tecnologia revolucionária de teletransporte em massa roubada do mundo de Kaladesh —, Bolas despejou seu vasto exército invasor de Eternos, liderados por quatro Deuses-Eternos colossais e indestrutíveis, diretamente no centro de Ravnica. Simultaneamente, ele ativou o Sol Imortal, um artefato divino de poder imensurável que ele havia encomendado milênios atrás e roubado de Ixalan. O Sol Imortal atuava como uma âncora gravitacional, impedindo que qualquer Planeswalker fugisse da zona de guerra.
O verdadeiro propósito da invasão não era destruir a cidade de Ravnica, mas usá-la como um matadouro e uma armadilha perfeita para atrair a maior quantidade possível de Planeswalkers de todo o Multiverso. Uma vez presos, o dragão começou a conjurar o infame Feitiço Ancião, uma magia ancestral, obscura e devastadora capaz de colher as centelhas de energia latente de suas vítimas enquanto eram massacradas pelos Eternos, fundindo esse poder roubado à sua própria alma. O objetivo final era claro: restaurar por completo seus poderes originais pré-Emenda e ascender como a entidade suprema da existência.
Com os defensores sangrando e as guildas de Ravnica caindo perante o massacre, a vitória total de Nicol Bolas parecia uma certeza matemática. Mas o dragão, consumido por sua própria arrogância milenar, cometeu o seu único e fatal erro: ele subestimou as emoções e o desespero daqueles que mantinha acorrentados. Liliana Vess, que operava como sua general principal forçada por um contrato demoníaco que desintegraria seu corpo caso ela o desobedecesse, decidiu que a morte em seus próprios termos era preferível à escravidão eterna servindo como ceifeira de um tirano. Rompendo seu juramento, ela voltou as hordas infinitas de mortos-vivos e os próprios e terríveis Deuses-Eternos contra seu mestre de escamas douradas.
Enquanto o dragão tentava retaliar e desintegrar a necromante, Gideon Jura realizou o sacrifício supremo. Ele transferiu sua própria proteção mágica invulnerável para Liliana e absorveu a fúria mortal e irrestrita do dragão, dando sua vida para manter o ataque ativo contra Bolas. Desestabilizado pelo poder da horda que outrora controlava, o escudo de Nicol Bolas finalmente cedeu.
Neste exato momento de vulnerabilidade inédita, a verdadeira armadilha se fechou. Seu irmão, Ugin, que havia retornado de um longo exílio operando invisível pelos planos, surgiu no campo de batalha em conjunto com a mente genial do dragão-gênio de Ravnica, Niv-Mizzet. Bolas não teve chance de fugir nem de revidar. Como punição final e ironicamente cruel, Ugin extraiu brutalmente a centelha de seu irmão gêmeo. A remoção da centelha não apenas destituiu Bolas de sua magia de locomoção planar, mas ativou magias milenares que o enfraqueceram a um estado decrépito e lhe arrancaram seus nomes de batismo, apagando completamente sua temível identidade das memórias de todos, exceto de um seleto grupo.
O outrora inquestionável Deus-Faraó e tirano do Multiverso não foi executado. Em vez disso, foi banido e aprisionado para sempre no Reino da Meditação, um plano de bolso desprovido de cor e poder, onde será vigiado de perto por Ugin pela eternidade, condenado a viver o resto de sua vida mortal sem nome, sem magia, na sombra do que um dia foi.
Grimório MTG
2026. Todos os direitos reservados.
Contato
contato@grimoriomtg.com.br
