A Origem do Multiverso em Magic: The Gathering: O Caos, os Eldrazi e a Centelha da Criação

Descubra a fascinante origem do Multiverso em Magic: The Gathering. Entenda o caos das Eternidades Cegas, as forças cósmicas dos Eldrazi, como o majestoso Ur-Dragão semeou a vida draconiana e a era dos deuses criadores de mundos.

LORE

Fuss

5/24/2026

Antes mesmo de o tempo ser registrado pelos primeiros sábios, antes das maquinações complexas dos Planeswalkers e das infinitas guerras que ameaçariam a existência, havia o vasto e caótico vazio. Diferente de muitos mitos de criação, o Multiverso de Magic: The Gathering não possui um único "Deus" criador absoluto. Ele não começou com uma explosão pacífica ou com o desejo de um único ser, mas sempre existiu como um oceano fervilhante de energia primordial, abrigando entidades cósmicas incompreensíveis que navegam pela própria estrutura da realidade.

Para compreender a fundação dos mundos — desde as florestas de Dominária até as cidades de Ravnica —, é necessário olhar além das atmosferas que conhecemos. É preciso olhar para as forças da natureza, os avatares primordiais e os devoradores de mundos que moldaram o alvorecer do Multiverso.

As Eternidades Cegas e o Vazio Primordial

A fundação absoluta do Multiverso baseia-se nas Eternidades Cegas (Blind Eternities). Este é o espaço insondável entre os incontáveis planos de existência, uma região preenchida por caos, paradoxos físicos e tempestades de Éter puro. Para um mortal, ou até mesmo para a maioria das criaturas mágicas, ser exposto às Eternidades Cegas significa a anulação imediata, com a alma e o corpo sendo dilacerados pela energia bruta da criação.

Contudo, neste oceano de energia destrutiva, existem formas de vida nativas que não precisam de um plano físico para sobreviver. Elas flutuam e se alimentam da própria essência mágica que separa os mundos.

As mais aterrorizantes dessas entidades são os Titãs Eldrazi — Emrakul, Ulamog e Kozilek. Eles são os devoradores do cosmos. Seres de proporções lovecraftianas, os Eldrazi vagam pelas Eternidades Cegas consumindo a mana e a própria realidade física dos planos de existência, agindo como uma força inevitável de entropia e "reciclagem" cósmica.

O Ur-Dragão e a Semeadura da Vida

Enquanto os Eldrazi representam a fome do vazio, outras entidades representam a força da vida e da proliferação que preenche o Multiverso. Entre elas, destaca-se a mais antiga e formidável força da natureza: o Ur-Dragão, a personificação absoluta de toda a existência dracônica.

Ele não é um mero mortal feito de escamas e osso; ele é um avatar colossal. O bater de suas asas imensas gera ventos de mana que reverberam pelas realidades. Cada movimento do Ur-Dragão através das Eternidades Cegas gera violentas tempestades de pura força mágica. O sangue invisível, as escamas etéreas e o atrito de suas asas choveram sobre os primeiros mundos incipientes, "semeando" a vida dos dragões pelos planos.

"A essência do batimento cardíaco da própria existência dracônica, existindo no alvorecer dos tempos e irradiando seu poder imensurável pelas estrelas da criação."

Dominária e o Nascimento dos Dragões Anciões

O ponto de convergência mais crítico dessa energia ancestral foi o plano que viria a ser conhecido como Dominária — o grandioso Nexo do Multiverso. Da energia bruta do Ur-Dragão que tocou este solo primitivo, houve uma reação catalítica impressionante. A terra abriu-se, o céu rasgou-se em trovões e nasceram os Dragões Anciões (Elder Dragons).

Eles foram os primeiros, os maiores e os mais poderosos seres mortais a voar sobre um plano de existência. Divindades encarnadas com sabedoria imensurável, seu nascimento desencadearia, milênios depois, a Guerra dos Dragões Anciões, o primeiro evento de aniquilação em massa registrado em Dominária. A fragmentação da essência dracônica resultou em identidades diametralmente opostas:

  • Nicol Bolas: A personificação da tirania e ambição. Mestre na magia mental (Azul, Preto e Vermelho), ele manipulou o Multiverso através de eras, tornando-se seu maior vilão até a sua queda na monumental Guerra da Centelha.

  • Ugin: O irmão gêmeo de Bolas e seu extremo oposto. Focado na magia incolor, espiritual e estrutural, Ugin compreendia a natureza cósmica do Multiverso. Assumiu o manto de Dragão Espírito e atuou como arquiteto de gigantescas defesas cósmicas, sendo o principal responsável por aprisionar os Eldrazi em Zendikar.

  • Arcades Sabboth: Um defensor pacífico da ordem e civilização (Verde, Branco e Azul). Preferiu construir impérios, ensinando leis e agricultura para as jovens raças de Dominária.

  • Chromium Rhuell: O estudioso (Branco, Azul e Preto), que adotava a forma humana para observar os mortais.

  • Palladia-Mors: A encarnação da letalidade e fúria implacável (Vermelho, Verde e Branco), vivendo como a predadora colossal e indomável.

O Poder de Criar Mundos: Os Oldwalkers

Mas se o Ur-Dragão semeou os dragões e os Eldrazi consumiram realidades, quem de fato criou os planos artificiais? A resposta reside em uma combinação da formação natural do Éter e no poder incomensurável dos Planeswalkers Pré-Emenda (Oldwalkers).

Antes de um evento cósmico que reescreveu as leis da magia (A Emenda), possuir a "Centelha" de Planeswalker não significava apenas poder viajar entre os mundos. Significava ser um deus literal. Planeswalkers antigos tinham tanto poder que eram capazes de materializar planos inteiros a partir do nada usando sua própria vontade e energia mágica. Entre eles estavam Urza, a deusa humana Serra (criadora do mítico Reino de Serra), e o lendário Taysir de Rabiah, frequentemente considerado o mais poderoso Planeswalker mortal da antiguidade, um ser supremo nascido da fusão de cinco versões de si mesmo, dominando todas as cinco cores da magia.

Muitos dos mundos que exploramos no lore de Magic não foram obras do acaso, mas sim projetos forjados por deuses mortais como Taysir, Serra, Urza e Nicol Bolas, que outrora moldaram as Eternidades Cegas com as próprias mãos.

O Eco da Criação Pelos Confins do Multiverso

A presença massiva do Ur-Dragão, as maquinações dos Planeswalkers e o movimento dos Eldrazi deixaram assinaturas mágicas profundas na biologia e na história de incontáveis mundos.

No plano selvagem de Tarkir, a força draconiana nasceu de anomalias climáticas criadas por Ugin — as Tempestades de Dragão —, que despejavam dragões adultos no céu, redefinindo o destino de guerreiros como Sarkhan Vol. Em Alara (no fragmento de Jund), a semente se fundiu aos vulcões, criando predadores absolutos movidos a uma fome primitiva. Já em Kamigawa, o toque dessa criação assumiu uma ressonância etérea, gerando divindades espirituais dracônicas que guardavam o véu da realidade.

Compreender o Multiverso de Magic: The Gathering é entender que a existência não surgiu do silêncio de rochas ociosas. Ela é uma sinfonia perigosa entre a entropia dos Eldrazi, os mundos artificiais forjados por antigos deuses Planeswalkers e o estrondo monumental gerado pelas asas de entidades como o Ur-Dragão. O tecido da realidade continua vivo, sendo costurado, destruído e reinventado a cada nova era.

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