A Origem do Multiverso em Magic: The Gathering: O Caos, os Eldrazi e a Centelha da Criação
Descubra a fascinante origem do Multiverso em Magic: The Gathering. Entenda o caos das Eternidades Cegas, as forças cósmicas dos Eldrazi, como o majestoso Ur-Dragão semeou a vida draconiana e a era dos deuses criadores de mundos.
LORE


Antes mesmo de o tempo ser registrado pelos primeiros sábios, antes das maquinações complexas dos Planeswalkers e das infinitas guerras que ameaçariam a existência, havia o vasto e caótico vazio. Diferente de muitos mitos de criação, o Multiverso de Magic: The Gathering não possui um único "Deus" criador absoluto. Ele não começou com uma explosão pacífica ou com o desejo de um ser unificado, mas sempre existiu como um oceano fervilhante de energia primordial, abrigando entidades cósmicas incompreensíveis que navegam pela própria estrutura da realidade.
Para compreender a fundação dos mundos, desde as florestas de Dominária até as ecumenópoles de Ravnica, é necessário olhar além das atmosferas que conhecemos. É preciso olhar para as forças da natureza, os avatares primordiais e os devoradores de mundos que moldaram o alvorecer do Multiverso.
As Eternidades Cegas e o Vazio Primordial
A fundação absoluta do Multiverso baseia-se nas Eternidades Cegas (Blind Eternities). Este é o espaço insondável entre os incontáveis planos de existência, uma região preenchida por caos, paradoxos físicos e tempestades de Éter puro. Para um mortal, ou até mesmo para a maioria das criaturas mágicas, ser exposto às Eternidades Cegas significa a anulação imediata, com a alma e o corpo sendo dilacerados pela energia bruta da criação.
Contudo, neste oceano de energia destrutiva, existem formas de vida nativas que não precisam de um plano físico para sobreviver. Elas flutuam e se alimentam da própria essência mágica que separa os mundos.
As mais aterrorizantes dessas entidades são os Titãs Eldrazi: Emrakul, Ulamog e Kozilek. Eles são os devoradores do cosmos. Seres de proporções lovecraftianas, os Eldrazi vagam pelas Eternidades Cegas consumindo a mana e a própria realidade física dos planos de existência, agindo como uma força inevitável de entropia e "reciclagem" cósmica.
O Ur-Dragão e a Semeadura da Vida
Enquanto os Eldrazi representam a fome do vazio, outras entidades representam a força da vida e da proliferação que preenche o Multiverso. Entre elas, destaca-se a mais antiga e formidável força da natureza: o Ur-Dragão, a personificação absoluta de toda a existência dracônica.
Ele não é um mero mortal feito de escamas e osso; ele é um avatar colossal. O bater de suas asas imensas gera ventos de mana que reverberam pelas realidades. Cada movimento do Ur-Dragão através das Eternidades Cegas gera violentas tempestades de pura força mágica. O sangue invisível, as escamas etéreas e o atrito de suas asas choveram sobre os primeiros mundos incipientes, "semeando" a vida dos dragões pelos planos.
"A essência do batimento cardíaco da própria existência dracônica, existindo no alvorecer dos tempos e irradiando seu poder imensurável pelas estrelas da criação."


Dominária e o Nascimento dos Dragões Anciões
O ponto de convergência mais crítico dessa energia ancestral foi o plano que viria a ser conhecido como Dominária: o grandioso Nexo do Multiverso. Da energia bruta do Ur-Dragão que choveu sobre este solo primitivo, houve uma reação catalítica impressionante. A terra abriu-se, o céu rasgou-se em trovões e nasceram os Dragões Anciões (Elder Dragons).
Eles foram os primeiros, os maiores e os mais poderosos seres mortais a voar sobre um plano de existência. Divindades encarnadas com sabedoria e brutalidade imensuráveis, seu nascimento desencadearia, milênios depois, a Guerra dos Dragões Anciões, o primeiro evento de aniquilação em massa registrado em Dominária. A guerra dizimou a linhagem, deixando apenas os vencedores supremos, cujas identidades definiam o espectro da magia:
Nicol Bolas: A personificação da tirania e ambição. Mestre na magia mental (Azul, Preto e Vermelho), ele manipulou o Multiverso através de eras, tornando-se seu maior vilão até a sua queda na monumental Guerra da Centelha.
Ugin: O irmão gêmeo de Bolas e seu extremo oposto. Focado na magia incolor, espiritual e estrutural, Ugin compreendia a natureza cósmica do Multiverso. Assumiu o manto de Dragão Espírito e atuou como arquiteto de gigantescas defesas cósmicas, sendo o principal responsável por aprisionar os Eldrazi em Zendikar.
Arcades Sabboth: Um defensor pragmático da ordem e civilização (Verde, Branco e Azul). Preferiu construir impérios, ensinando leis e arquitetura para as jovens raças de Dominária.
Chromium Rhuell: O estudioso (Branco, Azul e Preto), que frequentemente adotava a forma humana para observar e interagir com os mortais pacificamente.
Palladia-Mors: A encarnação da letalidade e fúria implacável (Vermelho, Verde e Branco), vivendo como a predadora colossal e indomável.
Vaevictis Asmadi: O caos e a selvageria desenfreada (Preto, Vermelho e Verde). Uma força de pura destruição agressiva que carbonizava seus rivais em torrentes de fogo primitivo.


O Poder de Criar Mundos: Os Oldwalkers
Mas se o Ur-Dragão semeou os dragões e os Eldrazi consumiram realidades, como surgiram os planos artificiais? A resposta reside na manipulação profana do Éter e no poder incomensurável dos Planeswalkers Pré-Emenda (Oldwalkers).
Antes de um evento cósmico que reescreveu as leis da magia (A Emenda), possuir a "Centelha" de Planeswalker não significava apenas poder viajar entre os mundos. Significava ser uma divindade literal, desprovida de envelhecimento e limitação física. Alguns Planeswalkers antigos possuíam tanto poder que eram capazes de tecer planos inteiros a partir do nada, condensando o Éter em matéria física usando apenas sua vontade.
Muitos dos mundos artificiais ou de bolsão que exploramos no lore de Magic foram obras forjadas pela ambição desses deuses mortais. A planeswalker Serra fundou o místico e celestial Reino de Serra a partir de pura luz e crença. O golem de prata Karn, herdando os poderes de seu criador Urza, concebeu o plano matemático de Argentum (que mais tarde seria corrompido em Mirrodin). Até mesmo a infernal Phyrexia original não surgiu da natureza, mas foi maquinada no vazio por um antigo e desconhecido Planeswalker muito antes de Yawgmoth descobrir seus salões de metal escuro.
Planeswalkers lendários como Urza e Nicol Bolas não criaram planos do zero, mas dobraram realidades existentes à sua vontade implacável: Urza colapsou o próprio Reino de Serra em uma Pedra de Energia para abastecer sua guerra, enquanto Bolas invadiu e reescreveu a própria fundação espiritual do plano de Amonkhet para criar um exército de mortos-vivos.
O Eco da Criação Pelos Confins do Multiverso
A presença massiva do Ur-Dragão, as ambições arquitetônicas dos Oldwalkers e o rastro de aniquilação dos Eldrazi deixaram assinaturas mágicas profundas na biologia e na história de incontáveis mundos.
No plano selvagem de Tarkir, a força draconiana renasceu das anomalias climáticas criadas pela magia de Ugin, as Tempestades de Dragão, que despejavam predadores adultos diretamente nos céus, redefinindo o destino de guerreiros como Sarkhan Vol. Em Alara (no fragmento de Jund), a semente dracônica fundiu-se aos vulcões, coroando dragões como os predadores no topo de uma cadeia alimentar implacável. Já em Kamigawa, o toque dessa mesma criação assumiu uma ressonância etérea, gerando divindades espirituais dracônicas que guardam o véu da realidade do mundo.
Compreender o Multiverso de Magic: The Gathering é entender que a existência não surgiu do silêncio de rochas ociosas. Ela é uma sinfonia perigosa entre a entropia rastejante dos Eldrazi, os mundos artificiais costurados por antigos deuses Planeswalkers e o estrondo monumental gerado pelas asas de entidades primordiais. O tecido da realidade continua vivo, sendo remendado, rasgado e reinventado a cada nova era.


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