Liliana Vess: O Peso do Véu e os Pactos Demoníacos

Conheça a vida e as rebeliões de Liliana Vess, a curandeira que, na tentativa de salvar o próprio irmão, se tornou uma das necromantes mais temidas do Multiverso.

PLANESWALKERS E TRIBOS

Fuss

10/6/2026

Liliana Vess é uma das necromantes mais letais de todo o Multiverso de Magic: The Gathering. De uma promissora curandeira no plano de Dominária, que acidentalmente condenou o próprio irmão, até figurar como peça-chave na destruição cósmica de Nicol Bolas, sua história é traçada com sangue, culpa e desespero de rebelião. Ao longo das eras, a vida da maga foi intensamente marcada por quatro pactos demoníacos forjados em troca de juventude, além do fardo corrosivo enraizado em sua alma pelo artefato antigo conhecido como o Véu Metálico. As decisões de Liliana, frequentemente guiadas pelo mais agudo instinto de autopreservação e pela revolta mortal contra credores, abalaram as fundações da magia negra e redefiniram a sobrevivência de incontáveis mundos.

A Herança e a Centelha

O primeiro grande marco trágico na longa vida da necromante ocorreu no plano de Dominária. Muito antes de vestir o manto e os capuzes da reanimação, ela devotava seu tempo como curandeira. Sua principal motivação era uma caçada desesperada para encontrar um antídoto viável para a corrupção brutal que gangrenava a carne de seu irmão ferido, Josu. Adentrando a escuridão densa das florestas de Benália em busca de raízes vitais para o elixir medicinal, a jovem feiticeira foi avistada e interceptada pelo enigmático Homem Corvo.

Meticulosamente enganada pelas sugestões crípticas da figura pálida de olhos dourados, Liliana lançou correntes de magia profunda nas raízes que coletara, convicta de que estava apenas contornando e queimando a doença que dilacerava seu irmão. O desfecho do ritual improvisado foi irreparável. A magia desvirtuada devastou Josu nas entranhas, aniquilando a fagulha de humanidade do jovem em favor de uma ressurreição grotesca. A medicação tornou Josu um lorde morto-vivo aterrorizante, forçando a irmã mais velha a testemunhar de imediato o peso letal de sua interferência cega.

"I know you're here! Face me, damn you!" — Liliana Vess

O absoluto pânico e terror por testemunhar a abominação enlouquecida originária de seu feitiço operou como um rompimento em sua mente. Em meio ao violento colapso emocional na floresta, o peso esmagador de seu luto catalisou um evento raro: a centelha de planinauta de Liliana inflou e incendiou-se por completo. Envolvida pela força abrupta de viagem multiversal, ela foi arrancada do ar de Dominária, teleportando-se para o desconhecido para escapar da fúria daquele que havia acabado de condenar.

“Eles nunca encontraram o corpo do jovem Josu, nem o de sua irmã assassina.”
— A Queda da Casa Vess


(Tradução literal)

Os Pactos e o Fardo Metálico

Séculos abismais se passaram, e o choque da resolução das fendas temporais provocado pela Emenda (The Mending) cobrou uma conta implacável a todos os imortais natos. O fenômeno reduziu Liliana — até então dotada de divindade de planinauta irrestrita — de volta à mortalidade, prendendo-a às engrenagens do tempo e expondo-a ao início do envelhecimento natural na própria pele. Incapaz de processar e aceitar a fragilidade da velhice, o prazo de validade de sua beleza e o desbotar trágico de sua magia cósmica, ela firmou contratos literais talhados a sangue na epiderme com quatro soberanos demoníacos do éter: Kothophed, Griselbrand, Razaketh e Belzenlok.

"Kothophed concedeu a Liliana juventude eterna, entalhada em sua pele como tatuagens intrincadas."

A efêmera paz e a volta do frescor jovial garantidos pelos pactos demoníacos entraram em colapso abrupto logo com o primeiro lorde. Kothophed a enviou como caçadora furtiva rumo a Shandalar. Seu intuito era utilizar a maga para rastrear um artefato milenar obscuro, o Véu Metálico (Chain Veil).

"O poder sobre a morte foi o presente de Griselbrand. A formidável necromancia de Liliana era agora inigualável."

"O controle sobre os vivos foi o que Liliana ganhou de Razaketh. Almas mortais fracas tornaram-se seus brinquedos."

Ao segurar os fios sombrios e o ouro corroído da relíquia ancestral em suas mãos, no entanto, Liliana foi abraçada pelo chamado espectral dos espíritos nativos Onakke que gritavam aprisionados no metal da malha. Inundada por fúria latente pela coleira de seus agressores e banhada pelo poder transbordante roubado das catacumbas, a planinauta não apenas renegou as diretrizes. Liliana voltou-se furiosamente contra Kothophed e extirpou a vida do demônio utilizando diretamente os feixes de condenação irradiados pelo véu, riscando de vez o nome da primeira sombra de seu contrato.

Desacorrentada parcialmente, sua atenção voltou-se à eliminação da segunda linha de sua dívida: a caçada por Griselbrand, cujas garras a arrastaram fisicamente até o plano lúgubre de Innistrad. Em busca de uma maneira de suportar os ataques corrosivos do Véu Metálico sem ter sua própria força vital drenada, Liliana exigiu a assistência de especialistas locais. Ela contratou o geistmago Dierk e seu peculiar assistente Gared, exigindo que adaptassem um sistema arriscado no topo de uma torre em Innistrad. Sob as ordens da necromante, o sistema deveria canalizar as descargas de uma tempestade elétrica massiva diretamente para o artefato pressionado contra seu rosto, enquanto orbes repelentes desviariam o dano colateral. Liliana tolerou o suplício brutal das correntes de energia espectral até o feitiço falhar, sobrecarregando os fusíveis, destruindo o laboratório em uma explosão de vidro e provando que seu domínio inofensivo da malha metálica ainda estava distante de ser alcançado.

Momentos de tortura depois, ela rasgou o encantamento impenetrável do núcleo prateado da prisão planar Helvault, forçou a liberdade caótica das feras confinadas no monólito sagrado em pedaços na praça central, perseguiu as asas de Griselbrand pelo ar noturno da cidade e reduziu seu segundo soberano infernal à exaustão e à morte final.

“Avacyn emergiu da Câmara Infernal quebrada, mas sua liberdade teve um preço — ele.”
— Thalia, Cavaleira Cátara

As Sentinelas e os Últimos Senhores

O Rio de Sangue

Em busca de meios militares para a finalização do sangue demoníaco restrito ao seu documento infernal, a planinauta aliou-se abertamente à corporação planar conhecida como as Sentinelas (Gatewatch).

“Eu serei uma sentinela. Está feliz agora?”

Em meio às dunas egípcias e necrópoles sufocantes de areia do plano de Amonkhet, ela encontrou o demônio alado Razaketh acomodado diretamente nas margens manchadas do rio Luxa.

"Liliana insistiu em ir a Amonkhet para confrontar um dos dois demônios com os quais ela ainda tem um contrato."

Durante a sangrenta batalha, feitiços de estase e esmagamento gravítico disparados pela monstruosidade demoníaca forçaram a feiticeira a uma imersão asfixiante na correnteza purulenta e fervida do oásis. Afogando-se com cada onda espessa escarlate, a necromante alcançou o elo mortuário mais primal disponível. Entranhando as malhas de sua consciência fragmentada através das espinhas e dentes ensanguentados da vida selvagem dilacerada suspensa embaixo do rio de sangue e lodo, dezenas de corpos pútridos de tubarões do Nilo e garras de crocodilos escamosos mortos explodiram do espelho do rio em uníssono contra Razaketh, destroçando suas asas, ossos e entranhas e servindo-o aos mortos como troféu.

A Queda da Cabala

Restava apenas um nome em seu contrato: Belzenlok, encastelado na Fortaleza da Cabala, em Dominária. Para encontrar a localização exata do covil, Liliana uniu forças com o mago do tempo Teferi. Durante a invasão às masmorras dos cultistas, no entanto, a necromante esbarrou em seu pior pesadelo. Seu irmão, Josu, havia sido desenterrado e reanimado pelos feitiços de Belzenlok para servir como escudo e comandante de guerra do demônio.

Apoiada por seus aliados, Liliana avançou pelo pátio. Eles abriram caminho através de Josu e sua vanguarda de zumbis, destruíram as defesas da fortaleza e finalmente eliminaram Belzenlok. Mas o alívio durou pouco. Ao olhar para os próprios braços no meio da carnificina, o sentimento de triunfo deu lugar ao desespero: as letras mágicas do contrato não descamaram e nem sumiram de sua pele, como havia acontecido na morte dos três demônios anteriores. O pacto continuava vivo, fazendo o sangue da feiticeira gelar ao perceber que a dívida ainda não estava paga.

A Guerra da Centelha e o Sacrifício

A brutal persistência mágica daquelas chamas e escrituras no corpo revelava a trapaça absoluta das cláusulas microscópicas registradas invisíveis no próprio âmago de seu acordo de sangue com os demônios falecidos. Com a extinção violenta de Kothophed, Griselbrand, Razaketh e Belzenlok, o contrato foi acionado e imediatamente transferido aos termos do fiador inicial do trâmite, garantindo as rédeas dos comandos psíquicos sob a figura inquestionável e monumental do dragão ancião interplanar Nicol Bolas.

“Seu contrato não foi cumprido. Agora você me pertence. Sirva ou morra.”
— Nicol Bolas

Transportada pelas amarras mágicas para os cenários sufocantes da guerra planar declarada nas torres góticas de Ravnica, Liliana sentiu-se encurralada nos domínios dourados a assumir o comando de generais sob a facção nefasta da Horda Medonha (Dreadhorde).

Ao ver Nicol Bolas ordenar o massacre de civis nas ruas de Ravnica, Liliana tomou uma decisão impensável. Contrariando séculos de puro egoísmo e instinto de sobrevivência, ela se rebelou. Ciente de que a desobediência significava suicídio, a necromante comandou os deuses-zumbis de Amonkhet para atacarem o dragão. Imediatamente, as letras do contrato brilharam em sua pele, começando a desintegrar seu corpo e a transformar seu sangue em cinzas como punição.

O fim era certo, mas Gideon Jura quebrou as fileiras inimigas e interveio. O planinauta puxou a maldição para si mesmo, absorvendo todo o dano letal gerado pela quebra do pacto. Em meio aos escombros da guerra, as runas do contrato finalmente desapareceram da pele da maga. Gideon virou pó em seu lugar, morrendo para que ela vivesse. Liliana estava livre do dragão e dos demônios, mas agora ficaria marcada para sempre pelo peso esmagador do sacrifício de seu aliado.

Arcavios e o Colapso da Realidade

Exausta pelas batalhas que se seguiram à Guerra da Centelha e caçada por antigos aliados, Liliana buscou refúgio em Arcavios. Lá, assumiu a identidade de Professora Onyx e passou a lecionar na prestigiosa Strixhaven, até sentir-se segura o bastante para abandonar o disfarce e voltar a ser a Professora Vess. No entanto, as guerras multiversais ainda cobrariam um preço terrível.

Após ajudar a defender a universidade da Invasão Phyrexiana, Liliana foi vítima do evento que abalou toda a existência: Great Desparkening, um processo que fez a vasta maioria dos Planeswalkers perder suas centelhas e, consequentemente, seus poderes de viajar entre os planos. A centelha que se acendera no passado, quando sua tentativa desesperada de curar o irmão a condenou à necromancia, extinguiu-se repentinamente. Sem o poder de cruzar os planos, ela se viu presa à própria mortalidade. Quando Ajani trouxe a notícia de que Jace desaparecera ao tentar remodelar a realidade, Liliana duvidou da morte do telepata. Suas suspeitas ganharam força quando alunos de Strixhaven começaram a sumir através de misteriosos Caminhos do Omen. Ajani partiu para investigar, mas, devido à nova condição limitante de Liliana, avisou que ela teria que ficar para trás.

A trégua durou pouco. A mente fraturada de Jace Beleren havia criado o Echoverse, um multiverso espelhado e distorcido. Dessa falsa realidade surgiu uma duplicata de Liliana: a Professora Opal, a versão idealizada que conseguiu salvar o irmão e recusou a escuridão, representada nas cartas como Liliana the Faultless (a impecável, em uma tradução direta).

"Todos os erros podem ser corrigidos. Até mesmo você."

Opal sequestrou a verdadeira Liliana, arrastando-a para Hexhaven, a contraparte sombria de Strixhaven no Echoverse. Lá, a necromante foi trancada em uma cela estéril, protegida por feitiços e alimentada apenas com frutas, pães e sementes. Sem matéria orgânica morta por perto, Liliana não tinha o "combustível" necessário para conjurar suas magias de fuga. Durante o cativeiro, Opal a visitava com frequência, oferecendo-lhe uma redenção vazia, prometendo "salvá-la" da mesma forma que havia salvo o próprio irmão nessa realidade perfeita.

A virada ocorreu graças a Tam, uma construção viva e senciente gerada pela própria mente fraturada de Jace para atuar naquele mundo.

Foi para essa entidade que Liliana revelou a terrível verdade: o plano de Jace de sobrepor o Echoverse ao Multiverso original não traria paz, mas sim sufocaria e apagaria as almas de todos os seres vivos reais. Compreendendo a gravidade da situação, Tam traiu seu criador e ajudou a libertar a prisioneira.

Livre da cela estéril, a necromante finalmente encontrou o que precisava. Usando os cadáveres de ratos que infestavam os corredores de Hexhaven, Liliana canalizou sua magia sombria para subjugar e matar Opal. Em um ato de ironia macabra contra a perfeição de sua cópia, ela a reanimou instantaneamente como uma Lich, forçando a versão "impecável" a servi-la.

Com sua nova lacaia morta-viva, Liliana uniu forças com Vraska, Ajani, Chandra e Garruk para enfrentar a persona corrompida de Jace, O Teórico. A batalha final, no entanto, foi decidida por forças maiores. Percebendo que o Echoverse precisava ser destruído de fora para dentro, Tam utilizou sua conexão mental para atrair a atenção da titã Eldrazi Emrakul através das Eternidades Cegas. A investida da devoradora de mundos rasgou o falso firmamento. A torre de Hexhaven começou a desmoronar, e os duplos ilusórios dos heróis começaram a se dissolver como fantasmas. Em meio ao caos, Liliana ainda teve que desviar da fúria cega de Garruk, que acabou fugindo da destruição sem feri-la.

“Meus erros são meus para consertar.”

Sob a chuva de escombros cósmicos, Liliana fez uma escolha que desafiou décadas de puro egoísmo. Enquanto Chandra, Ajani e Garruk escapavam transplanando para a segurança, a necromante, agora sem centelha, dependia inteiramente de um anel mágico de teletransporte (mage-ring) para fugir. Ela poderia ter saltado sozinha. Em vez disso, correu até Vraska, que estava de joelhos ao lado do corpo inconsciente de Jace, e a puxou para cima. Juntas, as duas mulheres apoiaram o telepata pelos ombros e atravessaram o portal do anel no último segundo, escapando instantes antes de o falso Multiverso desaparecer no vazio.

Livre dos contratos demoníacos e do controle de Nicol Bolas, Liliana Vess redefiniu seu papel na história. A curandeira que condenou a própria alma e a feiticeira que se vendeu a quatro demônios deram lugar a uma sobrevivente forjada na dor. Ela já não é a planeswalker intocável de outrora. Ainda assim, mesmo desprovida de sua centelha divina, ela arriscou a vida finita para salvar aqueles que, no passado, teria deixado para morrer. Hoje, Liliana não caminha mais como uma devedora acorrentada ao medo. Carregando as cicatrizes de sua trajetória e o peso do sacrifício de Gideon, ela finalmente dita seu próprio destino, dedicada a proteger os alunos de Strixhaven das trevas que um dia a consumiram.

Fontes e Referências

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