A Saga de Alara: A Fragmentação, o Confluxo e a Ascensão do Maelstrom
Um mundo estilhaçado. Cinco realidades isoladas pela falta de mana. Quando as fronteiras caíram e o céu de Alara começou a sangrar, o Multiverso descobriu que a guerra interplanar era apenas o tabuleiro de xadrez do dragão Nicol Bolas.
LORE
Fuss
7/4/2026


Nas crônicas do Multiverso, poucos eventos rivalizam com a grandiosidade trágica do que ocorreu em Alara. Após as reverberações cósmicas da Emenda (The Mending), a era dos planeswalkers divinos chegou ao fim. Despojado de sua quase onipotência, o dragão ancião Nicol Bolas voltou seus olhos predatórios para um plano despedaçado, enxergando na sua fratura a chave para restaurar sua glória perdida. A outrora unificada Alara tornou-se o tabuleiro perfeito para um jogo de guerra, paranoia e colheita de almas em escala apocalíptica.
A Fragmentação e a Era do Isolamento
Há milênios, antes de o nome Nicol Bolas sussurrar terror em seus céus, Alara era um plano vibrante e completo. Contudo, os registros divergem e os nomes foram apagados pelo tempo, mas o cânone relata que um planeswalker desconhecido de poder incalculável drenou o núcleo de mana do mundo para alimentar sua própria centelha. O cataclismo resultante foi a Fragmentação.
O mundo estilhaçou-se em cinco planos independentes, conhecidos como Fragmentos (Shards). A lei mágica e natural foi severamente alterada: cada fragmento foi privado de duas das cinco cores primordiais de mana. Restritos a uma cor primária e suas duas aliadas, esses mundos evoluíram em total isolamento por milhares de anos, criando biosferas, culturas e raças moldadas pelos extremos de suas limitações mágicas. O multiverso esquecera Alara, mas o plano ainda pulsava, ansiando por sua completude.










A Geografia e Cultura dos Cinco Fragmentos
Bant
Um reino de planícies douradas e vastos castelos costeiros, Bant é a epítome da coragem, da ordem e da fé, regido pelo mana Branco, com influências do Azul e do Verde. Na total ausência do egoísmo (Preto) e da desordem (Vermelho), a sociedade estruturou-se em um sistema de castas rigoroso, onde conflitos são resolvidos em duelos ritualísticos de cavalheirismo. A magia manifesta-se através das Insígnias (Sigils), emblemas mágicos que atestam a honra e o valor de um guerreiro. Os Anjos são figuras de adoração absoluta, pairando sobre batalhas como avatares da justiça. Foi neste Éden ordeiro que a planeswalker Elspeth Tirel, uma refugiada de terrores passados, buscou paz. Ela cavalgou ao lado de Rafiq dos Muitos, o maior campeão humano do plano, sem saber que agentes silenciosos, como o ardiloso mercador Gwafa Hazid, já teciam a ruína de seu santuário.


Esper
Dominado pelo mana Azul e suportado pelo Branco e Preto, Esper é um arquipélago enigmático onde oceanos são substituídos por mares de vidro e o céu é atravessado por nuvens em forma de grades milimétricas. É um mundo desprovido do caos passional (Vermelho) e do crescimento natural (Verde). A obsessão pelo controle e pelo intelecto levou à criação do Etherium, uma liga mágica infundida na carne e nos ossos de todos os seus habitantes. O mistério de sua criação repousa sobre a enigmática Esfinge Crucius, o Louco. Nos altos salões de hegemonia, Sharuum, a Hegemônica guiava o progresso das esfinges, enquanto o humano Tezzeret — nascido na miséria de Esper e outrora envolvido com a ordem dos Buscadores de Carmot — ascendeu para tornar-se uma peça fundamental na teia de aranha interplanar.


Grixis
O horror e a podridão reinam absolutos em Grixis. Alimentado pelo mana Preto, com espectros de Azul e Vermelho, este fragmento foi isolado da luz (Branco) e da vida (Verde). A própria essência da vida não surge naturalmente; o mundo é um inferno necrótico e decrépito de pântanos fétidos e tempestades de raios secos, onde tudo é colhido e reaproveitado. A energia vital pura, chamada Vis, é o recurso mais valioso e a única moeda de troca para a sobrevivência em meio a demônios impiedosos e hordas de mortos-vivos. Aqui reinava Sedris, o Rei Traidor, mas o verdadeiro poder estava nas garras de Malfegor, um pavoroso demônio-dragão que, em segredo, já dobrava os joelhos para um mestre superior.








Jund
Governado pelos instintos primitivos do mana Vermelho, Preto e Verde, Jund ignora a ordem (Branco) e as ilusões do intelecto (Azul). Trata-se de uma fornalha vulcânica primordial coberta por pântanos de piche escaldante e selvas sufocantes, onde a sobrevivência do mais apto é a única lei. Os dragões pairam inquestionáveis no topo da cadeia alimentar, caçando humanos, guerreiros viashino e os inesgotáveis goblins. Foi essa fúria selvagem que atraiu o planeswalker Sarkhan Vol, originado do plano de Tarkir cuja reverência fanática o impelia em uma busca cega pelo dragão perfeito para venerar, cruzando o caminho com Kresh, Tranças de Sangue e a poderosa xamã Rakka Mar, serva letal e inflamável de vontades externas.




Naya
Nutrida pelo mana Verde, Vermelho e Branco, Naya é o fragmento da exuberância desenfreada. Sem o toque corruptor da ambição (Preto) ou a frieza da tecnologia (Azul), a vida orgânica alcançou proporções titânicas. As selvas infinitas são o lar dos Gargantuas, feras colossais e veneradas pelos místicos elfos Cylianos como divindades ambulantes. A crença central repousa na Alma do Mundo, o avatar adormecido Progenitus. Embora a hidra colossal seja uma entidade ancestral das cinco cores — um resquício vivo da Alara original de antes do cataclismo da Fragmentação —, os elfos de Naya só conseguiam compreender e cultuar os aspectos do deus alinhados à natureza e ao instinto, já que o Azul e o Preto haviam sido fisicamente expurgados de sua realidade. Este Éden colossal foi o berço do planeswalker leonino Ajani Goldmane e de seu irmão, Jazal Goldmane. A tragédia que se abateria sobre a liderança de Jazal serviria como o estopim para a jornada de autodescoberta do jovem Ajani, guiada pelas visões de Mayael, a Anima.




As Maquinações de Nicol Bolas
Enfraquecido pelos eventos da Emenda, Nicol Bolas não via os fragmentos de Alara como mundos vivos, mas como pilhas de lenha prestes a serem acesas. O dragão arquiteto compreendeu a natureza astronômica da planície estilhaçada: os fragmentos inevitavelmente colidiriam, num evento cósmico iminente. Seu plano magistral era garantir que essa colisão acontecesse em meio a uma histeria generalizada e massacres planetários absolutos, pois a mortandade em larga escala catalisaria uma tempestade de energia vital.
Para semear a paranoia e a destruição antes do choque, Bolas manipulou cada plano em segredo:
Em Naya, as manipulações agiram em duas frentes: primeiro, os agentes de Bolas instigaram o revolucionário leonino Marisi a quebrar o Esmalte (a civilização dos Nacatl), incitando a revolta selvagem e mergulhando o fragmento no caos. Simultaneamente, nas sombras, o dragão usou feitiçaria mental para submeter a leonina Zaliki, forçando a aliada de Ajani a conjurar os monstros que resultaram no brutal assassinato do líder Jazal Goldmane — evento que ativou a dor e a centelha do jovem planeswalker e lançou as tribos em guerra total
Em Jund, seduziu a xamã Rakka Mar, instigando as "Caçadas de Vida" a níveis de agressão insustentáveis.
Em Grixis, colocou o colossal Malfegor no comando absoluto das legiões mortas-vivas, preparando uma onda interminável de horrores pestilentos.
Em Esper, usurpou secretamente a liderança e guiou a seita dos Buscadores de Carmot, monopolizando a promessa de criar um novo suplemento para o raro Etherium e convertendo os magos cegos pela ganância em seu exército interplanar.
Em Bant, financiou línguas de prata como a de Gwafa Hazid, pagando para que desconfiança, xenofobia e envenenamentos fossem plantados entre os inabaláveis castelos.
O Confluxo: A Colisão das Realidades
Quando as bordas invisíveis dos cinco mundos finalmente se tocaram, o fenômeno do Confluxo iniciou-se com violência catastrófica. O céu ordeiro de Bant rasgou-se, revelando as tempestades vulcânicas e pântanos sulfurosos de Jund, enquanto rios de podridão de Grixis invadiam as praias imaculadas. Cores de mana que haviam sido esquecidas por milênios colidiram, reescrevendo as leis da física e da magia.


A guerra interplanar engolfou as realidades. A invasão das hordas necróticas de Grixis em Bant forçou um banho de sangue onde o heroísmo encontrou o absoluto pavor da morte eterna. Para defender seu lar adotivo, Elspeth Tirel quebrou seu sagrado juramento de pacifismo, desferindo sua ira celestial contra a escuridão. O grandioso duelo de luz e sombras culminou quando Rafiq dos Muitos abocanhou a glória eterna: fortalecido pelas magias divinas e pelo sigilo protetor da própria Elspeth, o campeão empunhou sua lâmina e conseguiu o impossível, derrotando a monstruosidade de Malfegor. Em outras fronteiras, os predatórios dragões de Jund banqueteavam-se com a carne dos Gargantuas de Naya, enquanto as mentes calculistas de Esper marchavam em legiões para colher os valiosos ossos draconianos em nome de suas próprias forjas.
O Maelstrom e a Batalha Final
O derramamento massivo de sangue e a intersecção caótica das linhas geográficas afunilaram o pânico planetário para o epicentro do choque. Ali, onde os cinco mundos sangraram juntos, nasceu o Maelstrom — uma tempestade colossal de mana penta-colorida, um turbilhão de pura essência que não existia desde a cisão ancestral. Dessa tempestade caótica, avatares de puro poder destrutivo começaram a tomar forma, como a aterradora Criança de Alara, uma monstruosidade cósmica recém-nascida que desintegrava a realidade ao seu redor.
"Após anos de maquinações tentando transformar o mundo, o triunfo de Nicol Bolas está perto."




Era este o prêmio de Nicol Bolas. Posicionando-se diretamente no olho da tormenta caótica, o Dragão Ancião começou a absorver a tempestade, buscando transcender os limites impostos pela Emenda. Foi neste ápice que Sarkhan Vol, extasiado pela encarnação da superioridade draconiana e do poder absoluto que tanto procurava, ajoelhou-se e jurou lealdade eterna ao tirano.
Entretanto, as engrenagens do destino também moveram Ajani Goldmane. Retornando ao seu plano natal e confrontado com a revelação de que Bolas fora o arquiteto oculto por trás do assassinato de seu irmão e da ruína do mundo, a fúria e o instinto do leonino atingiram o zênite. Canalizando a crua essência das cinco cores do Maelstrom, Ajani utilizou a mais profunda magia espiritual nayaiana.
O leonino não tentou golpear a divindade alada com sua lâmina; ao invés disso, capturou o reflexo da própria alma soberba do dragão. Uma cópia titânica de Nicol Bolas, forjada inteiramente de pura energia luminosa do Maelstrom, manifestou-se. O choque titânico entre o Bolas físico e seu avatar espiritual — uma entidade que possuía exatamente o mesmo nível divino de poder —, resultou em uma explosão cataclísmica de luz e mana. O eco da detonação estilhaçou a concentração do dragão, expulsando-o forçadamente do plano rumo às Eternidades Cegas.
Quando as poeiras do Maelstrom baixaram e os ecos de guerra arrefeceram, o feixe do destino havia sido selado. Os fragmentos perderam permanentemente suas divisas. Alara renasceu (Alara Reborn), fundindo-se de volta em um único e imenso plano contínuo. Agora, raças puras, magias estritas e preconceitos milenares foram forçados a conviver sob um mesmo céu imprevisível, iniciando um novo capítulo brutal e belo no Multiverso, onde todas as cinco cores da criação pulsavam como um só coração.
"A prole do Maelstrom não tem nenhuma lealdade — e nenhuma misericórdia — com nenhum dos cinco fragmentos."


